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TIC Kids Online Brasil 2021: 81% das crianças e adolescentes conectados já viram publicidade na Internet

TIC Kids Online Brasil 2021: 81% das crianças e adolescentes conectados já viram publicidade na Internet

TIC Kids Online Brasil 2021: 81% das crianças e adolescentes conectados já viram publicidade na Internet

93% das crianças e dos adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos estão conectados à Internet. E isso não é, de fato, um problema. Muito pelo contrário: é de se comemorar o aumento das possibilidades de desenvolvimento que a ampliação dessa presença pode significar. Entretanto, lançada na terça-feira (16) no 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2021 apresenta dados que alertam que os jovens são afetados pela exploração comercial na Internet – e muito.

 

Quando perguntados sobre ter contado com publicidade, 81% dos usuários de Internet entre 11 e 17 anos afirmaram já terem visto alguma publicidade enquanto realizavam atividades no ambiente digital. Isso é, sem dúvidas, muito preocupante. Além disso, 56% desses jovens interagiram com conteúdos comerciais e 45% dizem seguir perfis de marcas nas redes sociais.

 

“Apesar do aumento do acesso de crianças e adolescentes à Internet, o fato de que a maioria é feito por celular compromete a qualidade em termos de diversidade e segurança. Ter acesso ao mundo digital é um direito de crianças e adolescentes. Porém, isso precisa acontecer de maneira a mantê-los livres de riscos como a exploração comercial.”  Maria Mello, coordenadora do Criança e Consumo

 

Publicidade e dados do TIC Kids Online Brasil 2021

Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é o fato de que a maioria das crianças e dos adolescentes que estão na Internet (67%), são expostos à publicidade por meio de vídeos.  Já é comprovado que crianças não compreendem o caráter persuasivo da publicidade – e isso quando ela é explícita. Porém, muitas vezes, esses conteúdos podem ser facilmente confundidos com entretenimento ou algo criado organicamente. Portanto, nesse cenário, a identificação da comunicação mercadológica fica ainda mais dificultada.

 

Vídeos que se propõem a ensinar como usar um produto (62%), a prática de “unboxing”, ou seja, de abrir embalagens (61%), mostrar itens recebidos pelas marcas (54%) e até mesmo desafios e brincadeiras (53%) acabam sendo formas de induzir nos jovens a lógica de consumismo. Ainda de acordo com a TIC Kids Online Brasil 2021, 19% do público da faixa etária de 9 a 17 anos fez compras on-line no ano passado. Isso significou, nesse sentido, um avanço de 10% em relação a 2019.

 

Redes sociais e crianças

Segundo a pesquisa, entre crianças de 9 e 10 anos, 68% estão nas redes sociais. Dentre as de 10 e 11 anos, esse número pula para 86%. Essa edição ainda inclui, pela primeira vez, a rede TikTok no levantamento. O aplicativo de vídeos curtos conta com a presença de 58% dos respondentes. Os mais novos representam uma participação significativa, como é o caso de crianças entre 9 e 10 anos (42%).

 

Dentre os jovens de 11 a 12 anos conectados, 66% utilizam o TikTok. Nessa mesma faixa etária, notou-se que metade das crianças possuem conta no Instagram. Já no WhatsApp, esse dado sobe para 76%.

 

O problema, aqui, reside no fato de que essas plataformas apontam não permitir contas de pessoas de até 13 anos. Esses ambientes, então, não são projetados pensando no seu uso por crianças. Portanto, pequenos e pequenas acabam ficando ainda mais expostos à exploração comercial infantil – um desrespeito aos seus direitos.

 

Desigualdade no impacto da exploração comercial

Os dados da TIC Kids Online Brasil 2021 também mostram que meninas são mais afetadas pela comunicação mercadológica na Internet. Quando os indicadores são segmentados por gênero, nota-se que 85% das garotas de 11 a 17 anos viram algum tipo de divulgação de produtos ou marcas no mundo digital. Enquanto isso, o mesmo aconteceu com 78% dos garotos da mesma faixa etária.

 

Ao se considerar itens como maquiagem ou outros produtos de beleza, 73% delas afirmam terem sido impactadas com divulgações durante suas atividades na Internet. Apenas 21% dos meninos fazem a mesma afirmação.

 

De fato, a erotização e adultização precoces são consequências da publicidade infantil – e as meninas são as mais afetadas com isso. Essa é apenas mais uma face do sexismo presente na nossa sociedade e como ele também afeta as crianças.

 

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