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Criança e Consumo fala sobre práticas manipulativas na Internet no 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet

Criança e Consumo fala sobre práticas manipulativas na Internet no 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet

Criança e Consumo fala sobre práticas manipulativas na Internet no 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet

Na última terça-feira (16), com o intuito de discutir caminhos para a criação de  um ambiente digital responsável, ético e seguro para os jovens, aconteceu o 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet. O evento, organizado pelo NIC.br e o CGI.br, correalizado pelo Instituto Alana, SaferNet e FGV, ocorreu de forma presencial em São Paulo e, ainda, com transmissão on-line ao vivo. O Criança e Consumo organizou uma mesa sobre práticas manipulativas na Internet e responsabilidade de plataformas pela proteção infantil.

 

Durante a abertura, representantes das organizações realizadoras resgataram a importância das reflexões que seriam feitas ao longo do dia. Participaram dessa conversa Alexandre Barbosa (Cetic.br| NIC.br), Guilherme Forma Klafke (CEPI FGV Direito SP), Isabella Henriques (Instituto Alana), Miriam Von Zuben (CERT.br|NIC.br), Raquel Gatto (NIC.br) e Rodrigo Nejm (Safernet Brasil).

 

“A fruição dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes passa pela Internet – nós vimos isso com muita força durante a pandemia quando falamos do direito à Educação. Mas não só isso, as crianças brincam, socializam, jogam. Elas vivem e passam muito tempo no ambiente on-line.” Isabella Henriques, diretora-executiva do Instituto Alana.

 

Após a abertura, Kelli Angelini (ANCT) falou sobre “como estimular a cidadania digital na comunidade escolar: boas práticas para uso da tecnologia e o que diz a legislação para infrações”, com moderação de Alexandre Barbosa (Cetic.br|NIC.br). Aliás, é possível assistir o início do evento aqui.

 

Práticas manipulativas na Internet desrespeitam os direitos de crianças e adolescentes

O primeiro painel do evento contou com uma discussão promovida pelo Criança e Consumo. Com moderação de Miriam Von Zuben (CERT.br|NIC.br), Inês Vitorino (UFC) , Maria Mello (Instituto Alana) e Renata Tomaz (UFF | FGV DAPP) falaram sobre como o modelo de negócio das plataformas que é utilizado interfere na autonomia de usuários e os conduzem a ações não intencionais. E crianças e adolescentes estão presentes nesses espaços, assim, eles também são afetados. Nina da Hora (PUC-Rio) também estava convidada para participar do painel de maneira remota, mas, por falha de conexão, não pôde.

 

“Todos podem sofrer com práticas manipulativas, mas, quando pensamos em grupos mais vulneráveis como jovens, eles podem ser ainda mais facilmente induzidos ao erro – para eles, por exemplo, já é normalmente difícil diferenciar o entretenimento da publicidade” Maria Mello, coordenadora do Criança e Consumo

 

Essas são estratégias publicitárias não legítimas e, de fato, as plataformas utilizam isso para camuflar conteúdos mercadológicos. Foi discutido que é de extrema importância que empresas garantam que crianças e adolescentes tenham experiências significativas no ambiente digital. Isso, aliás, considerando múltiplas infâncias e desafios específicos de cada realidade.

 

“Ser criança nos Estados Unidos é completamente diferente de ser criança no Brasil. Existem contextos diferentes e as empresas precisam oferecer seus serviços pensando nessas diferenças.” Renata Tomaz, professora da UFF e conselheira do Criança e Consumo

 

Logo, as plataformas não podem se isentar da responsabilidade de promover e garantir a dimensão social da Internet. Assim, comprometem-se com os direitos de crianças e adolescentes e isso parte de um design amigável e seguro.

 

“Nos cabe pensar o que podemos fazer para ter uma Internet segura, que promova a cidadania digital e não esteja apenas guiada por uma lógica comercial.” Inês Vitorino, professora da UFC e conselheira do Criança e Consumo

 

Confira o painel na íntegra:

 

Quais são os hábitos de consumo da Internet de crianças e adolescentes brasileiros?

No segundo painel, ocorreu o lançamento da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2021. Foram apresentados, então, dados sobre como jovens entre 9 e 17 anos usam a Internet e lidam com seus riscos e oportunidades. Com moderação de Maria Rebeca Otero Gomes (UNESCO), Drica Guzzi (Zeitgeist – Pesquisa, Tecnologias e Educação), Luísa Adib (Cetic.br| NIC.br), Renata Santoyo (Anatel) e Thais Santos (UNICEF) falaram sobre “caminhos para uma conectividade significativa: como novas dinâmicas de acesso à Internet impactam as práticas online e o bem-estar de crianças e adolescentes?”.

 

Atualmente, 93% das crianças e dos adolescentes estão no mundo digital. Dos jovens entre 11 e 17 anos conectados, 81% afirmam já terem visto divulgação de produtos ou marcas na Internet. E, isso, desde vídeos de unboxing e apresentação de produtos a pessoas fazendo desafios ou brincadeiras com eles. Tudo isso, de fato, pode também ser considerado práticas manipulativas na Internet, além de abusivas e ilegais.

 

Ainda, o TIC Kids Online 2021 apurou que, dos jovens conectados, 78% possuem perfil em redes sociais, sendo as três principais o WhatsApp (80%), o Instagram (62%) e o TikTok (58%). Um ponto de atenção, aliás, é de que crianças de 9 a 10 anos estão mais presentes no TikTok e de 11 a 13 anos no Instagram. Em contrapartida, ambas plataformas apontam não permitir contas de pessoas de até 13 anos.

 

É possível assistir ao segundo painel aqui e às demais conversas do dia nos links disponíveis no site do evento.

 

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