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Desvendando alguns impactos da publicidade infantil

Desvendando alguns impactos da publicidade infantil

Desvendando alguns impactos da publicidade infantil

Que tipos de danos a publicidade infantil, de fato, pode causar na vida das crianças, nas famílias e na sociedade? A fim de esclarecer algumas dúvidas frequentes sobre o tema, o Criança e Consumo busca sempre desvendar a publicidade infantil. Venha descobrir se você sabe quais dessas afirmativas sobre alguns impactos da publicidade infantil são fatos ou falsas.

 

#01 Publicidade infantil estimula consumismo nas crianças: FATO

Publicidade é uma comunicação mercadológica que, inegavelmente, tem como objetivo a criação de desejo de consumo. Com ações direcionadas a crianças, então, não à toa é esse público que acaba recebendo e internalizando valores consumistas.

 

Várias empresas anunciantes ainda rodeiam as crianças de publicidade infantil em todos meios de comunicação e seus espaços de convivência. Seja enquanto estudam no ambiente físico das escolas ou por meio de plataformas digitais de educação, seja enquanto se divertem na internet. Ao mesmo tempo, canais da TV aberta e fechada também estão lotados de publicidade infantil. Os pequenos se deparam, a todo instante, com mensagens falando diretamente para eles que, somente consumindo determinado produto ou serviço, é possível se divertir ou “ser legal” entre os amigos, por exemplo. Essa ideia de alcance da felicidade através do consumo é muito comumente passada e reforçada por meio da publicidade infantil.

 

história em quadrinhos com quatro quadros em que uma mãe e um filho estão fazendo compras no mercado. no primeiro quadro, a mãe fala #02 Publicidade infantil está ligada ao aumento no índice de obesidade entre crianças: FATO

Os produtos alimentícios mais anunciados diretamente para crianças são cereais açucarados, refrigerantes, guloseimas e doces, salgadinhos e fast food. E não só são utilizados anúncios tradicionais, mas também estratégias camufladas como o posicionamento desses produtos em prateleiras baixas. Não é coincidência que acabam ficando na mesma altura dos olhos das crianças.  De acordo com pesquisa da UNICEF “Sobrepeso infantil e o ambiente de varejo na América Latina e Caribe”, metade dos supermercados deixam doces e guloseimas ao alcance das crianças. Empresas anunciantes ainda ilustram, por exemplo, personagens conhecidos e queridos do universo infantil nas suas embalagens. Além disso, outra estratégia publicitária são parcerias com influenciadores mirins, como as famosas “publis”, para anunciar esses produtos alimentícios em conteúdos infantis na internet. Essas ações publicitárias estão relacionadas à criação de hábitos alimentares não saudáveis nos pequenos e nas pequenas. Como resultado, índices de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis entre o público infantil vem aumentando.

 

#03 Publicidade infantil não afeta o desenvolvimento saudável das crianças: FALSO

Às vezes, a publicidade infantil representa crianças em papéis que não condizem com suas idades. E isso acontece justamente para estimular o consumo dos produtos e serviços anunciados. Para além da publicidade de itens do universo adulto como sutiãs, celulares e maquiagens, muitas ações comerciais voltadas para crianças representam meninas de forma precocemente sexualizada e meninos fortemente adultizados. Ao mesmo tempo, a publicidade costuma reforçar padrões de beleza quase sempre inatingíveis. Dessa forma, crianças podem absorver esses modelos de atitude e passar a acreditar que precisam performá-los para pertencer a sociedade. Meninos e, sobretudo, meninas são adultizadas e erotizadas precocemente.

 

#04 Publicidade infantil não gera impactos no meio ambiente: FALSO 

Você já teve a sensação de que quase todos os brinquedos são feitos de plástico? Certamente, isso não é apenas percepção. Nossa pesquisa Infância Plastificada estimou que 90% dos brinquedos do mundo são feitos a partir de materiais plásticos. E muitas das mesmas empresas que produzem esses itens também insistem em falar para as crianças, por meio da publicidade infantil, que elas precisam adquirir seus produtos para, de fato, se divertirem.

 

E, quanto mais se consome, por consequência, mais se descarta. Vale lembrar que o plástico é um material de baixíssima reciclabilidade. O Brasil, atualmente, é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo. Ao mesmo tempo, apenas 1% desse descarte é reciclado no nosso país, de acordo com a World Wildlife Fund (WWF). Então, além de desrespeitar a legislação ao praticar publicidade infantil, essas empresas ainda estão contribuindo para prejudicar o meio ambiente!

 

#05 Um dos impactos da publicidade infantil é o estresse familiar: FATO

Se o poder de compra é dos adultos, por que as empresas insistem em anunciar para as crianças? De fato, isso não é à toa. Quando convencidas a consumir determinado produto ou serviço, as crianças são “ótimas” em insistir e, certamente, o mercado sabe disso. O termo para tal comportamento é “fator amolação” (do inglês “nag factor”). Essa prática de a criança pedir algo incansavelmente até que os pais cedam é muito incentivada pelas mensagens publicitárias.

 

E, apesar de poder parecer que um simples “não” é capaz de anular todos esses estímulos ao consumo criado pela publicidade infantil, quem convive com crianças sabe que não é bem assim. O mercado interfere diretamente na relação entre pais e mães e seus filhos, desencadeando o estresse familiar. E esse é apenas um dos impactos da publicidade infantil. Todo e qualquer anúncio deve ser direcionado aos adultos que, afinal, são quem têm o poder de compra nas famílias.

 

#06 Publicidade infantil nunca interfere na economia da família : FALSO

Quem é mãe ou pai sabe que uma simples ida ao supermercado pode se transformar em uma atividade muito desgastante. A indústria utiliza estratégias como o posicionamento dos produtos nas prateleiras mais baixas nos mercados e o incentivo ao fator amolação, por exemplo, estrategicamente. Isso é porque as empresas estão cientes que a criança é uma grande influenciadora nas compras familiares. Quando estão no mercado, nove em cada dez pais são influenciados pelos filhos, de acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva. Igualmente, 70% das famílias gastam mais quando fazem compras em supermercados com os filhos.

 

É inegável o poder de escolha das crianças e as empresas anunciantes o utilizam para vender sem escrúpulos. O objetivo do mercado é tornar os pequenos promotores de vendas dentro dos seus núcleos familiares. Um dos possíveis impactos da publicidade infantil é, por consequência, o superendividamento das famílias.

 

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