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Pesquisa pioneira sobre publicidade infantil de brinquedos plásticos

Pesquisa pioneira sobre publicidade infantil de brinquedos plásticos

Pesquisa pioneira sobre publicidade infantil de brinquedos plásticos

Acesse o relatório do estudo e entenda como a publicidade infantil de brinquedos de plástico afeta a saúde das crianças e o meio ambiente

 

A pesquisa “Infância Plastificada: O impacto da publicidade infantil de brinquedos plásticos na saúde de crianças e no ambiente”,  é pioneira no mundo por apresentar dados inéditos sobre o efeito “publicidade-desejo-consumo-descarte”. Além disso, também aponta caminhos e soluções que podem ser encontrados para uma infância livre do consumismo e que permita o livre brincar em segurança.

 

Para baixar a pesquisa na íntegra, preencha os dados abaixo e receba o link no seu e-mail:

 

O setor de brinquedos liderou em 2019 a publicidade infantil na TV e é sabido que 90% dos brinquedos são feitos com alguma parte de plástico. Veja, abaixo, algumas respostas a dúvidas frequentes sobre o tema e as principais mensagens que esse estudo apresenta.

 

A pesquisa foi conduzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a pedido do Programa Criança e Consumo, do Instituto Alana.

 

em fundo azul escuro, no canto superior esquerdo, seta em meia lua para baixo vermelha. Abaixo, centralizado, texto em branco que diz "publicidade infantil estimula o consumo em excesso de brinquedos de plástico. No canto inferior direito, duas imagens de caminhões brancos com rodas vermelhasem fundo vermelho, texto centralizado em branco que diz "de 2018 a 2030, serão produzidos mais de um milhão de toneladas de brinquedos plásticos no Brasil". No canto inferior esquerdo, imagem de um caminhão azul escuro com rodas brancas e, do lado direito, seta em meia lua para cima em azul escuro

 

Perguntas Frequentes sobre a pesquisa

Qual o objetivo da pesquisa?

A pesquisa propõe investigar a relação entre a publicidade infantil realizada pela indústria de brinquedos e os impactos do consumo desses produtos de plástico na saúde das crianças e do meio ambiente.

O que a publicidade infantil tem a ver com os impactos ambientais de brinquedos de plástico?

A indústria de brinquedos é, hoje, uma das maiores anunciantes de publicidade dirigida a crianças, tanto nos meios tradicionais (televisão, lojas, etc.) quanto no ambiente digital (Youtube, games, etc), gerando valores consumistas a este público e o desejo do ter incondicional, muitas vezes sem a reflexão sobre tempo de uso daquele produto ou mesmo o seu destino após o descarte. Já reparou como é comum a criança enjoar de determinado brinquedo, pouco tempo depois de ganhá-lo? Considerando que 90% dos brinquedos no mundo são feitos de plástico, com baixa probabilidade de reciclabilidade, este estudo compreende e investiga que o impacto ambiental gerado pelo consumo de brinquedos e suas embalagens de plástico é consequência de uma cadeia complexa, que tem início na publicidade infantil, que gera o desejo de possuir determinado brinquedo sem a devida reflexão sobre um consumo consciente. Esse consumo irrefletido pode levar ao descarte e, consequentemente, impacta o meio ambiente

Por que essa é uma pesquisa pioneira no mundo?

O Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Instituto Alana participam de grandes redes de discussão e incidência no tema de plástico, além de acompanhar estudos no ramo, e revelou, inclusive no estudo, a deficiência de estudos que apresentem o montante de plástico gerado pela indústria de brinquedos, como a sua correlação com a publicidade infantil e os impactos ambientais e na saúde pública.

Quem realizou essa pesquisa?

A pesquisa foi encomendada pelo programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação da Universidade Federal de São Carlos (GPQV/UFSCar http://www.gpqv.ufscar.br/). O grupo foi criado em 2010, constituído a partir do Programa de Pós-Graduação em Química  da UFSCar e realiza estudos e pesquisas interdisciplinares que incorporam os conhecimentos científicos, especialmente no campo da Química, a formação ambiental à educação na perspectiva da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). O Grupo, que conta com a participação de pesquisadores e estudantes da graduação ao pós-doutorado nas áreas de Química e Educação, tem parcerias científicas com pesquisadores de instituições nacionais e internacionais de reconhecido destaque nas suas áreas de atuação. Ressalta-se a publicação de produtos derivados de suas pesquisas em veículos qualificados, vários desses, premiados, como o prêmio literário Jabuti em 2010 e 2015. 

Qual foi a metodologia utilizada na pesquisa?

A pesquisa foi metodologicamente dividida em quatro etapas: análise bibliográfica e levantamento de dados em fontes e referências reconhecidas internacionalmente e em bases de dados cientificamente confiáveis; estudos e projeções quantitativas sobre a quantidade de plástico gerado pela indústria de brinquedos e os seus impactos; análise de dois casos envolvendo publicidade infantil e consumo de brinquedos plásticos: bonecas L.O.L. Surprise! e McLanche Feliz; e, por fim, levantamento de soluções e alternativas para mitigar os impactos do consumismo e do uso de plástico na indústria do brinquedo.

Por que o plástico na indústria de brinquedos é um problema?

O estudo apresenta que 90% dos brinquedos produzidos mundialmente são feitos com algum tipo de plástico, que segundo o World Wide Fund for Nature (WWF) pode permanecer no meio ambiente por até 500 anos. No Brasil, 41,6% do plástico consumido não tem destinação adequada, ocupando a 16ª posição entre os países que mais descartam resíduos de plástico no oceano. 

 

Além disso, em seu lento processo de decomposição, o material plástico acaba se fragmentando em microplásticos, contaminando uma série de organismos vivos e, também, podendo ser encontrado em água potável, comida, roupas, entre outros itens de uso diário. Nada “some” do planeta, os materiais se decompõem e podem, ou não, ser reintegrados à natureza. 

Para além do fator ambiental, os brinquedos plásticos também são problemáticos para a saúde das crianças, uma vez que a maioria deles é feita de PVC (policloreto de vinila), que, para dar flexibilidade ao objeto, pode conter ftalatos, um conjunto de substâncias tóxicas que podem causar danos hormonais e cânceres em crianças. Em menor escala, mas também utilizado em brinquedos, o PC (policarbonato), pode conter tanto Bisfenol A (BPA), substância já proibida em mamadeiras por sua insalubridade, quanto seus substitutos Bisfenol S (BPS) e Bisfenol F (BPF), que também apresentam riscos à saúde das crianças.

Então, as crianças não devem ter brinquedos?

O Instituto Alana não é contra o uso de brinquedos e acredita que o mesmo faz parte do desenvolvimento da criança no ato do brincar. O que se busca com esta pesquisa é a restrição da publicidade infantil desses produtos e o seu uso seguro, para que as crianças sejam respeitadas em sua fase de desenvolvimento e não sejam expostas a estímulos de consumo de plástico em brinquedos nem, consequentemente, às substâncias tóxicas presentes nesses objetos.

Preciso parar de comprar brinquedos de plástico para meu filho/filha?

É importante refletir sobre os apelos publicitários realizados para estimular um consumo desenfreado e exercitar uma maior consciência sobre os hábitos de compra, bem como sobre os aspectos ambientais e para a saúde da criança dos brinquedos.

Como pai, mãe ou responsável, o que eu posso fazer para minimizar o impacto da publicidade infantil de brinquedos?

Seja dentro de casa, na comunidade ou com as empresas, existem várias possibilidades do que fazer:
Reduzir o uso de telas: diminuir o uso de telas e dispositivos consequentemente diminui a exposição à publicidade infantil, em especial de brinquedos por sua presença predominante em TVs e plataformas digitais;

  • Saber identificar e denunciar publicidade infantil para proteger nossas crianças em quaisquer circunstâncias;
  • Pressionar as empresas de brinquedos para não realizarem publicidade infantil e denunciar;
  • Estimular o brincar ao ar livre: aproveite todos os brinquedos e brincadeiras que a natureza proporciona, trazendo benefícios para o desenvolvimento das crianças;
  • Organizar feiras de trocas e doações de brinquedos: uma forma prática e divertida de mostrar que existe outras possibilidades em vez de comprar.

Por que a pesquisa traz os casos L.O.L. Surprise! e McLanche Feliz?

A L.O.L. Surprise! e o McLanche Feliz são casos ilustrativos que permitem entender como a  publicidade infantil estimula um comportamento consumista e, consequentemente, a geração e descarte de plástico. No caso do McLanche Feliz, é evidente a associação do desejo do brinquedo para o consumo do produto alimentício (eatertainment), tanto que a McDonald’s é a maior distribuidora de brinquedos do mundo. Já no caso da L.O.L. Surprise!, uma pequena boneca que é vendida envolta em diversas camadas de plástico, produz-se uma grande quantidade de embalagens apenas para criar o “efeito surpresa” amplamente explorado em sua comunicação mercadológica (especialmente na internet, em vídeos realizados por youtubers mirins), que estimula a criança a se interessar muito mais pela abertura do brinquedo do que pelo brinquedo em si.

O Instituto Alana já atuou nos casos de L.O.L. Surprise! e McLanche Feliz?

O Instituto Alana, por meio do seu programa Criança e Consumo, atua continuamente para mudar a conduta das empresas frente à publicidade dirigida a crianças, fazendo denúncias sobre essas práticas. Especificamente sobre os dois casos analisados nesta pesquisa, o instituto já realizou uma representação enviada ao Procon de Porto Alegre para denunciar a publicidade infantil do combo vendido de brinquedo e lanche no McLanche Feliz, criou a campanha #AbusivoTudoIsso para mobilizar pessoas a pressionar os órgãos a tomarem medidas frente a esta prática, denunciamos a L.O.L Surprise! ao MP-ES por publicidade infantil velada em canais de youtubers mirins, realizamos um vídeo com a youtuber Lu de Lupa para expor o impacto ambiental desta boneca, dentre outras diversas ações de advocacy.

 

 

PRINCIPAIS MENSAGENS DA PESQUISA

1- Setor de brinquedos é um dos que mais faz publicidade infantil

A indústria de brinquedos representou 71% das publicidades dirigidas a crianças na TV em monitoramento feito em 2019, especialmente próximo do Dia das Crianças e Natal.

2 – Maioria dos brinquedos é feita de plástico e pode causar impactos na saúde de crianças

Estima-se que 90% dos brinquedos do mundo são feitos a partir de materiais plásticos e muitos destes produtos contêm substâncias tóxicas para crianças.

3 – Brinquedos de plástico têm baixa probabilidade de serem reciclados

Este estudo estimou que 1,38 milhão toneladas de brinquedos de plástico serão produzidos no Brasil entre 2018 e 2030. Por conta da mistura de diversos materiais que os compõem, sua reciclabilidade se torna praticamente inviável.

4 – Embalagens de brinquedo fazem parte do problema

As embalagens, muitas vezes de plástico, também geram problemas ao meio ambiente pela sua rápida descartabilidade. O estudo estimou a geração de 582 mil toneladas no mesmo período no país.

5 – L.O.L. Surprise! e McLanche Feliz são exemplos da relação entre publicidade infantil e excesso de brinquedos de plástico

Ambos são casos ilustrativos do funcionamento e efeitos da  cadeia “publicidade infantil – desejo – consumo – descarte”. O primeiro com a cultura do unboxing, estimulada pela publicidade realizada por youtubers mirins, e o segundo por associar alimento ao consumo de brinquedo (eatertainment).

6 – Crianças são alvos rentáveis da publicidade e suscetíveis a valores consumistas

As crianças têm forte influência nas tomadas de decisão de compras da família e, por isso, têm sido um público-alvo lucrativo, estimulando o consumismo.

7 – Existem soluções possíveis

Os caminhos passam pela efetiva proibição da publicidade infantil, o estímulo à economia circular da cadeia de brinquedos, o brincar livre na natureza e o estímulo à cultura de troca de brinquedos, além do design de novos brinquedos verdes e sustentáveis.

8 – Publicidade infantil é ilegal e abusiva

A publicidade dirigida a crianças é considerada abusiva e, portanto, proibida pela legislação brasileira , por se aproveitar da condição vulnerável da criança que não consegue compreender o conteúdo persuasivo dessas mensagens.

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