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Publicidade infantil na TV paga aumenta no mês das crianças

Publicidade infantil na TV paga aumenta no mês das crianças

Publicidade infantil na TV paga aumenta no mês das crianças

A frequência de inserção de publicidade infantil em três canais infantis da TV por assinatura foi de um anúncio a cada 2 minutos

 

A quantidade de publicidade dirigida à criança em canais infantis na TV por assinatura aumentou consideravelmente em outubro, mês em que se celebra o Dia das Crianças, quando comparada  aos nove primeiros meses do ano. Para verificar, em números, uma situação perceptível na prática, monitoramos, desde janeiro, os canais infantis Cartoon Network, Discovery Kids e Gloob e constatamos que, só em outubro, a inserção de publicidade infantil nesses canais cresceu, em média, 331%.

 

Em fundo geométrico, quadrado roxo com relógio centralizado e, acima, data "2019". Em cada lado do relógio saem duas setas para baixo e textos que completam a frase, na esquerda, que diz "de janeiro à setembro, havia 1 publicidade infantil a cada 9 minutos" e, na direita, texto que diz "em outubro, houve 1 publicidade infantil a cada 2 minutos"Em relação à média dos 9 meses anteriores, o canal Gloob apresentou aumento de 403% na quantidade de inserções, o Cartoon Network de 324% e o Discovery Kids de 281%. Na prática, isso significa que, em média, uma publicidade infantil foi veiculada a cada dois minutos. Os dados são ainda mais estarrecedores quando se considera que a frequência de anúncios, em outubro, praticamente quintuplicou nesses canais em relação à média registrada de janeiro a setembro, quando foi observada a veiculação de uma publicidade dirigida à criança a cada 9 minutos.

 

“Considerando as pesquisas que indicam que crianças de 4 a 11 anos passam, em média, 4 horas por dia assistindo TV paga e os dados compilados em nosso monitoramento, estamos falando de crianças sendo expostas a uma média de 120 anúncios por dia em um canal infantil. Temos, então, um público vulnerável com altíssimo poder de influência nas compras da família sendo bombardeado a todo momento. É irreal que se delegue apenas aos pais, mães e responsáveis a tarefa de proteger os filhos do apelo comercial. As empresas também têm responsabilidade: cumprir a lei”, Renata Assumpção, pesquisadora do Criança e Consumo  e responsável pelo monitoramento.

 

Em fundo geométrico, imagem de uma televisão inteira vermelha com antenas e botões em branco. Dentro da imagem, texto que diz "o setor que mais dirige publicidade para crianças é o de brinquedos". Abaixo, gráfico que representa que o setor de brinquedos é responsável por 71% da publicidade infantil, seguido por mídias do canal com 9% e produtos alimentícios com também 9%

Os fabricantes de brinquedos lideram os anúncios direcionados para crianças (71%), seguidos por produtos alimentícios (9%) e mídias dos próprios canais, como aplicativos e redes sociais (9%).

 

“Apesar de muitos afirmarem que não há mais publicidade infantil na TV pela regulação já existente, o que inclusive seria supostamente motivo para queda de programação voltada para as crianças, o monitoramento mostra que as empresas anunciantes utilizam agora os canais infantis da TV paga como parte importante de sua estratégia de comunicação comercial. E esses canais se tornam verdadeiras plataformas para direcionamento de publicidade para crianças. Precisamos lembrar que publicidade infantil é uma prática antiética, injusta, abusiva e ilegal e também é papel dos canais de TV coibi-la”, ressalta Pedro Hartung, coordenador do Criança e Consumo.

 

Acesse aqui o documento com maiores detalhes sobre a metodologia e os principais resultados do monitoramento.

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