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Criança precisa de tanto brinquedo?

Criança precisa de tanto brinquedo?

Criança precisa de tanto brinquedo?

A brincadeira faz parte da infância. Ao brincar, as crianças aprendem a socializar e a se comunicar, além de valores muito importantes. A brincadeira, sobretudo, é uma verdadeira ponte entre a criança e o mundo que a cerca. Mas será que se precisa de tanto brinquedo para isso? É realmente necessário comprar o tempo todo novos bonecos, carrinhos, ferramentas – quase tudo de plástico – para a criança se divertir? Não, pelo contrário! Para que o desenvolvimento infantil seja saudável, crianças não precisam nem devem ter muitos brinquedos.

 

É claro, presentear às vezes uma criança pode ser, sim, um gesto bem carinhoso. Sem dúvida, esse momento pode gerar memórias afetivas e, pelo que eu me lembre da minha infância, muito especiais. Entretanto, o que quero dizer é que comprar ou ganhar não pode ser o mais importante. Apesar de poder ser muito divertido, o ritual de receber, desembrulhar e descobrir o que está dentro daquela caixa de presente não deve ser incentivado para a criança como mais especial do que o próprio brincar. E é justamente isso que a publicidade infantil faz.

 

E de onde saiu que é preciso consumir sem parar?

Vivemos, inegavelmente, em uma sociedade de hiperconsumo. Somos cercados de publicidade dizendo, o tempo todo, que precisamos consumir novos produtos e serviços para sermos felizes e realizados. E, apesar de poder ser eticamente questionável, essa prática não é errada de acordo com nossas leis. Mas, como se não bastasse reforçar para adultos essa ideologia consumista, parte da indústria ainda tenta passar isso para crianças.

 

Algumas empresas direcionam sua comunicação mercadológica diretamente para o público infantil – uma prática abusiva e, portanto, ilegal! Assim, são as próprias crianças que absorvem a ideia de que precisam, sim, consumir freneticamente todo produto e serviço que elas veem sendo anunciados. E é importante lembrar: crianças são hipervulneráveis e ainda não têm a capacidade de compreender o objetivo persuasivo da publicidade. Os pequenos e as pequenas, então, acabam acreditando que é necessário ter todos os brinquedos possíveis para poder se divertir.

 

E vale ressaltar que muitas crianças nem tem o privilégio de pensar isso. Não podemos esquecer que, no Brasil, em outubro de 2020, 14 milhões de famílias viviam na extrema pobreza. O brincar estritamente vinculado ao ato de consumir acaba se tornando mais uma ferramenta de distinção social, que agrava desigualdades.

 

Não, não é preciso de tanto brinquedo assim

A brincadeira é intrínseca à infância. Quem convive com crianças, decerto sabe que elas conseguem transformar qualquer coisa em diversão. Um galho seco que caiu de uma árvore pode ser uma poderosa varinha de condão. Assim como aquele lençol esticado, com algumas almofadas, se torna uma cabana no meio da floresta selvagem. Pedrinhas e sementes, dentro de um copo, viram um incrível instrumento musical. E por aí vai…

 

Crianças têm uma capacidade imaginativa ilimitada. Aliás, a partir dela, a brincadeira e o brincar livre se constroem naturalmente, se deixarmos. Sem distinções sociais, econômicas, de gênero ou regionalidade, o brincar é inegavelmente necessário à infância. De acordo com a psicóloga Susan Linn, “além do fato de serem alimentadas, terem uma casa e amor, não existe nada mais importante para a saúde de uma criança durante sua infância do que brincadeiras criativas”.

 

Então, ao contrário do que algumas empresas passam aos pequenos, não é preciso se encher de brinquedos para se divertir. Consumir e brincar não precisam – nem devem – andar necessariamente de mãos dadas.

 

Um brinquedo novo e diferente pode ser muito divertido e bem-vindo às vezes, é verdade. Entretanto, é preciso que outras formas de se relacionar com o brincar sejam estimuladas! É também na brincadeira com outras crianças, no recriar brinquedos a partir de objetos da casa e no incentivo à imaginação infantil, por exemplo, que a criança se desenvolve saudavelmente. Precisamos incentivar o brincar, não o comprar!

 

Por Giovana Ventura.

 

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