Notícias

Brincadeiras criativas são fundamentais para a infância

Brincadeiras criativas são fundamentais para a infância

Brincadeiras criativas são fundamentais para a infância

Susan Linn é psicóloga, autora do livro “Crianças do Consumo” e cofundadora da Coalizão pelo Fim da Exploração Comercial Infantil (CCFC), uma organização estadunidense dedicada a combater o marketing direcionado a crianças. Linn estuda profundamente a relação entre publicidade, consumismo e infância.

 

Nesta entrevista ao Criança e Consumo*, concedida em 2010, Susan Linn explica a importância das brincadeiras criativas, fala sobre o uso de novas tecnologias nos brinquedos e mostra como o marketing utiliza esses dois aspectos para conquistar as crianças.

 

Criança e Consumo – Atualmente, muitas crianças são tratadas como adultos e muitos adultos são tratados como crianças. Por que isso acontece?

Susan Linn – Uma razão é que a indústria do marketing explora a tendência natural da criança de admirar e de querer imitar crianças mais velhas. Ela usa uma técnica chamada “marketing aspiracional”. Então, crianças de seis anos são alvo do mercado publicitário e tratadas como se tivessem 13; às de 13, como se tivessem 18; e assim por diante. Como resultado, as crianças estão caindo nas “armadilhas” da maturidade e usando roupas, ouvindo músicas e adotando uma linguagem como se fossem mais velhas do que de fato são. Mas não existem evidências que indiquem que o desenvolvimento emocional e social dessas crianças caminha no mesmo ritmo.

 

CeC – Qual a importância do brincar? Por que isso é tão essencial para as crianças?

SL – Ter contato com brincadeiras criativas é fundamental para o aprendizado, para a criatividade, para a solução construtiva de problemas e para habilidade de autocontrole. É dessa forma também que as crianças aprendem a lidar com a vida e a encontrar significados. Brincadeiras criativas proporcionam uma janela dentro do coração e da mente das crianças – é dessa forma que elas expressam suas próprias verdades. Além do fato de serem alimentadas, terem uma casa e amor, não existe nada mais importante para a saúde de uma criança durante sua infância do que brincadeiras criativas.

 

CeC – Hoje, crianças brincam de pipa, mas também navegam na internet. Como lidar com essa realidade e usar as tecnologias de forma produtiva?

SL – Para usar as novas tecnologias de forma produtiva com as crianças, é necessário ter certeza de que há um equilíbrio na maneira como a criança usa seu tempo. Atualmente, existem muitas “telas” na frente das crianças vendendo coisas demais. Isso está se tornando um hábito. É preciso garantir que as crianças tenham tempo de brincar ao ar livre e interajam com a natureza.

 

Devemos ajudar as mães e os pais a analisar em que momento devem apresentar essas mídias aos seus filhos e a que tipo de conteúdo estão expostos. Nós precisamos encontrar uma maneira de educar esses pais de hoje – e futuros – sobre prejuízos e benefícios das mídias eletrônicas e ajudá-los a fazer escolhas positivas para seus filhos e suas filhas.

 

CeC – No seu livro “The Case for Make Believe” (“O caso de faz de conta”, em tradução livre), há uma crítica aos brinquedos eletrônicos. Como eles podem contribuir positivamente ou negativamente no desenvolvimento infantil?

SL – Para crianças jovens, os melhores brinquedos são 90% crianças e 10% brinquedos. Os brinquedos que encorajam a brincadeira criativa são aqueles que estão lá parados até que a criança faça alguma coisa com eles. Os brinquedos verdadeiramente criativos requerem esforço. Um brinquedo que anda, fala, dança, faz barulhos ou se move ao apertar de um botão encoraja a passividade, e não a criatividade. Brincar com jogos de computador ou navegar na internet pode ser divertido, mas para crianças pequenas, os brinquedos eletrônicos tendem a diminuir sua criatividade ao invés de estimulá-la.

 

CeC – Quais são os fatores determinantes para a diminuição das brincadeiras criativas?

SL – O maior fator é a crescente entrada do marketing na vida das crianças. Estudos mostram que, internacionalmente, a atividade mais comum entre as crianças é assistir à televisão. Os brinquedos mais vendidos são os eletrônicos, ligados a programas de mídias ou ambos. As pesquisas também sugerem que crianças brincam com menos criatividade quando os brinquedos são baseados em características de mídias e programas.

 

CeC – Como os investimentos em marketing afetam as crianças e seu desenvolvimento?

SL – O marketing é um fator presente em muitos dos problemas que as crianças encaram hoje: obesidade infantil, sexualidade precoce, violência, estresse familiar, valores materialistas e a erosão das brincadeiras criativas. Tudo isso está ligado ao marketing. Embora ele não seja a única causa desses problemas, está presente em todos eles.

 

*Confira a íntegra desta entrevista, que faz parte do Criança e Consumo Entrevistas, volume 5 – A Importância do Brincar.

 

Leia também

Documentário “Criança, a alma do negócio” discute a publicidade infantil

Tempo e espaço para brincar

Menos consumismo, mais tempo para o brincar

O excesso de brinquedos e a importância do brincar

X