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Menos consumismo, mais tempo para o brincar

Menos consumismo, mais tempo para o brincar

Menos consumismo, mais tempo para o brincar

É o tempo de vida, junto, que nos faz tanta falta. Por isso, estamos propondo uma semana do brincar sem consumismo.

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Tempo da infância, tempo para brincar, tempo junto. Essas são questões que envolvem a 8ª Semana Mundial do Brincar, uma iniciativa da Aliança pela Infância aqui no Brasil, que no ano de 2017 se dedicou à reflexão ao tempo: ao brincar que encanta o ritmo vital da infância e a cadência da vida com imaginação, fantasia e vivências físicas e anímicas. O Criança e Consumo também entra nesta ação e traz para a reflexão o brincar sem consumir.

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Em um primeiro momento, o tempo do brincar pode, aparentemente, não ter relação com o consumismo. Mas, como bem colocou José Pepe Mujica, ex-presidente uruguaio e um declarado minimalista, em entrevista ao filme Human, ninguém compra nada com dinheiro, mas com tempo de vida.

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Quando as crianças são convencidas de que precisam de mais objetos de consumo para se divertirem, como a publicidade infantil faz, e pais, mães e responsáveis se sentem pressionados a responderem às demandas dos pequenos – as crianças influenciam 80% das compras das famílias -, ocorre que gastamos tempo de vida para adquirir esses bens, muitos deles supérfluos. A lógica sedutora do consumismo nos faz esquecer de que é vida que se gasta ao consumir mais do que se necessita, é tempo de vida.

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E é o tempo de vida, junto, que nos faz tanta falta. Por isso, estamos propondo uma semana do brincar sem consumismo. Os brinquedos se fazem pela imaginação, que transforma um lençol em capa, um graveto em varinha, o pai em cavalinho, a mãe em fada. Imaginar não tem preço, mas requer tempo de vida. Consumir de forma consciente é construir uma poupança de tempo de vida para, por exemplo, brincar.

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A nossa sugestão é para que as famílias assumam a postura desafiadora e empoderadora de rever o consumo e brincar sem consumir durante uma semana. Cada “não” ao consumismo infantil pode ser contabilizado na poupança de tempo junto. Vale até registrar o montante acumulado e comunicar às crianças: “ganhamos mais um pouquinho de tempo para nossa poupança de brincar”.

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Claro que em um país tão desigual quanto o Brasil, há muitas famílias que não têm poupança de tempo e tampouco recursos para compra de supérfluos. Mas ainda assim lidam com uma pressão enorme no sentido de se endividarem para alcançar níveis de consumo para o “sucesso”, que muitas vezes  levam ao endividamento e ao estresse familiar.

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Assim, valorizar o brincar sem consumir é também uma ferramenta potente para as famílias que vivem com recursos limitados. Acreditar em “menos consumo” ajuda a lidar com a pressão e a fortalecer uma cultura que alivia o peso sobre os ombros de quem não pode consumir. Em tempo de economia lenta e desemprego, é ser solidário e fraterno.

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Construir uma sociedade não consumista, no entanto, não é fácil. Não é um trabalho individual tampouco. É uma construção social e, portanto, coletiva que tem seus pilares em responsabilidades compartilhadas entre Estado, empresas, escolas e famílias. Assim, esta é uma campanha de sensibilização para o tema, que não pretende resumir a problemática do consumismo na infância, apenas a orientação de práticas de brincar sem consumir.

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