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O que é essencial para as nossas crianças?

O que é essencial para as nossas crianças?

O que é essencial para as nossas crianças?

Criança e Consumo lança manifesto em conjunto com Criança e Natureza sobre o “novo agora”

 

Um mundo mais justo, mais saudável e menos consumista é o que todas as crianças merecem. Neste momento de pandemia, é importante sonhar e trabalhar pelo futuro que queremos. Com essa inspiração, o Criança e Consumo se uniu a outro programa do Instituto Alana, o Criança e Natureza, para construir uma agenda comum frente à pandemia da Covid-19 que instaurou um “novo agora”, algumas incertezas e muitas reflexões.

 

Mais do que nunca, é preciso garantir que todas as crianças tenham acesso à tecnologia de forma segura e livre de exploração comercial, especialmente com o fim da publicidade infantil. Para proporcionar boas experiências no ambiente digital é fundamental que empresas e plataformas respeitem e se orientem pelos direitos da crianças por design.

 

Defendemos, ainda, que o planejamento urbano das cidades brasileiras considerem o bem-estar infantil, levando em conta os riscos e ameaças consequentes da desigualdade, em que crianças têm diferentes experiências de cidade em função de seus locais de moradia e condições socioculturais. E, quando o distanciamento social puder ser flexibilizado, que as crianças possam usufruir de um espaço público livre de publicidade infantil ou ações comerciais e pleno de oportunidades para o brincar livre e espontâneo.

 

Neste “novo agora”, todos nós podemos repensar a forma como vivemos até aqui e desenhar um futuro melhor para todas as crianças e a humanidade. Leia abaixo o manifesto completo:

 


 

O que é essencial para as nossas crianças?

 

Os direitos das crianças e adolescentes estão no centro de tudo o que o Instituto Alana faz. Sua atuação se orienta pelo princípio de colocar em primeiro lugar o ser humano em sua forma mais vulnerável e de maior potência: as crianças. Os programas Criança e Consumo e Criança e Natureza buscam a transformação e o fortalecimento de valores pessoais e sociais, preservando a infância como tempo e espaço fundamentais para a proteção frente às pressões consumistas e para o acesso às oportunidades de desenvolvimento integral, como o contato com a natureza.

 

Enquanto o programa Criança e Consumo defende a proteção das infâncias na sociedade do hiperconsumo, e denuncia a violação de direitos pela exploração comercial infantil, em especial pela publicidade infantil e pela comunicação mercadológica dirigida às crianças, o programa Criança e Natureza advoga pelo direito a uma infância rica em natureza, na qual a criança tem a chance de estabelecer vínculos significativos com a vida e com o mundo que divide com o outro.

 

No novo cenário imposto pela pandemia da Covid-19 reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos das crianças e adolescentes e, juntos, vamos agir no sentido de manter meninas e meninos se desenvolvendo de forma saudável e segura durante e após a pandemia.

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Que cidades queremos?

No Brasil, 84% da população vive em cidades. Se as cidades são o ambiente da grande maioria das crianças, repensá-las, inclusive em seus planos diretores, é uma necessidade. Como principal diretriz, deve-se levar em conta o fato de que as crianças têm diferentes experiências de cidade em função de seus locais de moradia e condições socioculturais, usufruindo os benefícios e enfrentando as ameaças, em um nítido padrão de desigualdade.

 

Nossas bandeiras:

→ valorização dos espaços públicos livres de publicidade infantil, com desenho urbano orientado à qualidade de vida, e de locais mais seguros para a convivência social e para atividades educativas, em detrimento de espaços privados de incentivo ao consumo;

→ aumento e distribuição equitativa de áreas verdes destinadas ao brincar, e da oferta de serviços ambientais às cidades;

→ planejamento urbano orientado ao comércio e ao convívio locais;

→ incentivo à mobilidade ativa bem como melhores condições de acesso, segurança e autonomia das crianças nas cidades.

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Tecnologia centrada no melhor interesse da criança

A quarentena empurrou – ainda mais – as crianças para o ambiente digital. É lá que também acontece a interação social com os pares e familiares, a experiência escolar possível, o lazer permitido. Defendemos que todas as crianças têm o direito de desenvolver uma relação com o ambiente digital em que prevaleçam as boas experiências – conexões significativas, aprendizados com sentido, diversão saudável e ambiente seguro – e em que sua privacidade e capacidade de desconectar sejam respeitadas. Uma relação na qual a tecnologia esteja a serviço dos direitos e do melhor interesse das crianças, colocando-as a salvo de toda forma de violência e exploração comercial.

 

Nossas bandeiras:

→ direitos da criança por design, como parte inerente ao processo de desenvolvimento e do design de plataformas, de aplicativos e da Inteligência Artificial, levando em conta as lógicas, preocupações e sistemas relativos ao desenvolvimento infantil, direitos e melhor interesse das crianças;

→ a proteção das crianças da exploração comercial no ambiente digital e de radiodifusão, especialmente com o fim da publicidade e da comunicação mercadológica direcionada a  crianças com menos de 12 anos de idade;

→ a defesa de tecnologias para a educação básica que não façam uso de publicidade, nem explorem comercialmente seus dados, bem como a garantia do acesso à educação mesmo frente à falta de acesso à internet;

→ a responsabilização das empresas que permitem e possibilitam meios de monetização da experiência da criança por meio do trabalho infantil artístico nas mídias sociais;

→ o equilíbrio entre experiências online e offline, valorizando a interação presencial da criança com outras pessoas, bem como seu acesso a espaços naturais ou naturalizados.

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Natureza como determinante social de saúde

A expectativa é de que as consequências do distanciamento social, da ameaça contra a vida e das perdas econômicas sobre a saúde física e mental da população – inclusive de crianças e adolescentes – representem uma “segunda onda” da pandemia, com enormes custos sociais. Acreditamos que, quando o distanciamento social puder ser flexibilizado, oportunidades diárias e amplas para o brincar livre e espontâneo a céu aberto, sem pressões consumistas ou ações comerciais em espaços públicos, serão uma estratégia fundamental para enfrentar esse desafio: o brincar atuando ao mesmo tempo como cura e alimento. Suas contribuições se darão na diminuição do estresse tóxico, na retomada das habilidades físicas e motoras, no combate à obesidade e à intoxicação digital, na socialização e na valorização da vida.

 

Nossas bandeiras:

→ ampliar as oportunidades de brincar e aprender ao ar livre na escola, na vida da família e no contexto urbano;

→ incentivar políticas de educação crítica à mídia e ao consumismo, permitindo uma ampla reflexão sobre os impactos da exposição à tecnologia na vida das crianças e adolescentes, em contraponto ao benefício do contato com a natureza.

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Que mundo vamos ajudar a criar?

Estamos num ponto de inflexão da nossa história: ninguém sabe como sairemos da pandemia como indivíduos e como sociedade. Os programas do Instituto Alana já debatiam valores que conduzem nossas escolhas, e esse debate se torna mais relevante nesse momento. Acreditamos que devemos trabalhar por:

 

Um mundo mais justo: o impacto da Covid-19 será sentido mais fortemente pelas crianças mais vulneráveis. Muitas já vivem na pobreza, e as medidas de resposta podem ter como consequência submetê-las ao risco de mergulharem ainda mais na fome, na violência e na doença, ampliando as desigualdades já existentes. Nossa bandeira é uma agenda de justiça econômica, social e racial, que seja capaz de mudar as bases violentas que traçaram, até aqui, rumos predatórios às pessoas e à natureza, por meio de políticas públicas pautadas em um forte estado de bem estar social.

Um mundo mais saudável: a pandemia de Covid-19 mostra que somos natureza e fazemos parte dessa intrincada, complexa e interligada rede de vida, e que nenhuma ação ocorre isoladamente, nem fica sem resposta. Ela escancara o profundo desequilíbrio em que o planeta vive, baseado em um modelo predatório e consumista. Com a humanidade em suspensão, começamos a experimentar um “novo agora” e estudamos escolhas que irão remodelar a forma como nos relacionamos com o mundo, com os outros e com nosso íntimo. Temos a oportunidade de fomentar valores opostos ao da lógica do consumo de supérfluos, baseada na crença de que é preciso ter para ser feliz. Segundo o olhar de alguns especialistas, há espaço para o surgimento de uma sociedade que irá valorizar o essencial e abraçar novas referências de prazer e alegria, ligadas a valores como comunidade, conexão e acesso à natureza. Mais do que uma narrativa ingênua, é um alerta urgente: precisamos incluir o valor real dos serviços ecossistêmicos nos planos de reestruturação econômica pós-pandemia, e precisamos estabelecer padrões de produção e consumo que respeitem os recursos finitos do planeta, além da saúde e do desenvolvimento integral na infância.

Um mundo menos consumista: a saída da quarentena tem sido amplamente discutida pela ótica específica do crescimento econômico, aspecto relevante da nossa sociedade e das nossas vidas, que no entanto não pode ser levado adiante sem considerar uma retomada justa no campo social e ambiental. Uma retomada que leve em conta as necessidades reais e urgentes da população, sem estimular ações consumistas e inconsequentes para o meio ambiente. Consumir sem excessos significa também viver mais e melhor, com benefícios econômicos expressivos que não costumam ser colocados na ponta do lápis em momentos como este, mas podem trazer menos gastos com saúde pública, mais igualdade social e menor degradação dos recursos naturais dos quais dependemos. Eliminar a pressão consumista sobre as crianças, em especial em forma de publicidade dirigida a elas, significa consolidar valores de uma sociedade baseada na expressão do “ser” em vez do “ter”, ressaltando a reflexão sobre o que é realmente essencial.

 

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Retângulo vermelho com a palavra iniciativa e, ao lado, logo do Instituto Alana com a palvra Alana e uma borboleta branca ao lado. À direita, palavra realização e, ao lado, logo do Criança e Natureza com uma imagem de uma criança com seus cabelos em formato de uma arvore e, ao lado, logo do Criança e Consumo, em que o último o é o um olho

 

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