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Relação entre mudanças climáticas e publicidade infantil é debatida na COP25

Relação entre mudanças climáticas e publicidade infantil é debatida na COP25

Relação entre mudanças climáticas e publicidade infantil é debatida na COP25

A conferência climática da ONU, COP25, aconteceu entre 02 e 13 de dezembro de 2019 e reuniu, em Madri, chefes de estado, autoridades climáticas, organizações não-governamentais, grupos de jovens e outros atores da sociedade civil para responder à emergência climática. JP Amaral, mobilizador do Criança e Consumo, esteve presente e participou do painel “Economia circular, plásticos e mudanças climáticas”, onde falou sobre consumismo e impacto da publicidade infantil na saúde das crianças e no meio ambiente, em especial relacionado ao plástico no setor de brinquedos. 

As crianças estão em fase peculiar de desenvolvimento e, portanto são mais suscetíveis aos apelos consumistas da publicidade. Além disso, elas têm forte influência nas tomadas de decisão de compras das famílias. As empresas anunciantes sabem e se aproveitam disso para direcionar comunicação mercadológica especificamente para esse público. Algumas das consequências negativas dessa prática são estresse familiar, superendividamento e prejuízos ao meio ambiente. Este último, provocado tanto pelo descarte de brinquedos de plástico quanto das próprias embalagens. 

Publicidade infantil e mudanças climáticas

O setor de brinquedos é o mais dirige publicidade para crianças. Recentemente, um monitoramento do Criança e Consumo constatou que, nos principais canais infantis da TV Paga do Brasil, 71% dos anúncios direcionados para crianças eram de brinquedos. Há, também, a prática, igualmente ilegal, de publicidade velada em conteúdos de youtubers mirins, muitas vezes no formato conhecido como unboxing. No mundo, 90% dos brinquedos produzidos são de plástico e essa indústria estimula, através da publicidade infantil, o desejo pelos últimos lançamentos e produtos colecionáveis. Evidentemente, esse excesso de consumo também gera descarte que, por sua vez, traz enorme prejuízos ao planeta.

“A COP25 assume como objetivo o desafio de acelerar o combate às mudanças climáticas. E o consumismo tem uma relação direta com isso. Nesse sentido, é urgente combater a publicidade infantil, que estimula o consumo excessivo de plástico, seja nos próprios brinquedos seja nas embalagens descartáveis. A participação do Criança e Consumo no evento contribuiu para essa discussão em nível internacional”, comenta JP sobre a relevância da participação neste evento.

Assumir hábitos de consumo mais conscientes é fundamental, mas a solução para essa questão passa pela adoção de um compromisso em maior escala, tanto pelos Estados quanto pelas empresas. A adoção de uma economia circular, repensar o plástico em toda sua cadeia, inclusive do setor de brinquedos e, especialmente, o fim da publicidade infantil são algumas medidas que urgem serem tomadas. As crianças não são cidadãos do futuro, mas de hoje. E é preciso que elas sejam assumidas como prioridade absoluta em decisões e políticas. 

Outros temas discutidos 

Também participaram do painel representantes de outras três organizações internacionais. Manuela Hernández Nanetti e Soledad González Muñoz, da Corporación Seed, abordaram a questão da gestão de resíduos urbanos para redução dos gases de efeitos estufa. Manuela falou sobre a lei de Responsabilidade do Produtor do Chile, que exige que as empresas se responsabilizem pelos seus resíduos, fomentando uma Economia Circular. E Soledad complementou falando sobre soluções do problema da matéria orgânica, que compõe mais de 50% dos resíduos sólidos no Chile, por meio de sistemas de compostagem. 

Carlos Gatica, da Fundación Juntos por Aysén, apresentou uma ferramenta de educação ambiental para limpeza da Patagônia chilena com crianças e jovens, que foi utilizada na campanha “Yo quiero mi Patagonia limpia”. Por fim, Carrol Muffet, do CIEL, apresentou toda a cadeia produtiva do plástico e como ela é altamente prejudicial para os efeitos da crise climática.

 

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