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6 dicas para uma internet segura e sem publicidade infantil para as crianças

6 dicas para uma internet segura e sem publicidade infantil para as crianças

6 dicas para uma internet segura e sem publicidade infantil para as crianças

Para celebrar o Dia da Internet Segura, trazemos 6 dicas para ajudar a proteger as crianças da exploração comercial infantil em ambiente digital

 

No Brasil, 75% das crianças acessam a internet mais de uma vez ao dia (pesquisa TIC Kids Online 2018), e grande parte dessa navegação é em plataformas que extraem dados confidenciais de seus usuários para lucrar com o direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica. Isso significa que, entre outros riscos, as crianças estão expostas a sofisticadas estratégias comerciais, através das quais empresas anunciam produtos e serviços diretamente para esse público, uma prática abusiva e ilegal em qualquer meio de comunicação ou espaço de convivência da criança, impedindo uma internet segura para os pequenos.

 

Diante disso, é importante que pais, mães e responsáveis estejam atentos aos riscos da exploração comercial infantil na internet, para reduzir o contato das crianças com publicidade infantil e, principalmente, cobrar das empresas e do Estado a proteção efetiva dos pequenos. Para ajudar nesse desafio confira algumas dicas.

 

1. Entenda o modelo de negócio: dados pessoais são valiosos para as empresas

A maioria dos aplicativos e plataformas utilizadas por crianças no ambiente digital são gratuitos. Porém, quando você não paga, normalmente você é o produto e ,neste caso, são as crianças. O modelo de negócio por trás de produtos e serviços online é a monetização dos dados pessoais dos usuários, coletados por empresas e plataformas que, além de vendê-los para terceiros, utilizam esses dados para a micro-segmentação da publicidade. Ao navegarem em plataformas de vídeos, baixarem um jogo ou utilizarem redes sociais, as crianças estão fornecendo às empresas informações valiosas sobre perfil e hábitos de consumo familiares que serão utilizados para direcionamento de publicidade infantil online. Por isso, é importante cobrar das empresas termos de uso e de privacidade acessíveis, inclusive para as crianças. Os dados são nossos e temos o direito de saber e decidir o que serão feitos com eles.

 

2. Publicidade camuflada: saiba reconhecer publicidade infantil na Internet 

Identificar a publicidade infantil na rede não é tarefa fácil nem mesmo para os adultos, já que as empresas costumam camuflar, estrategicamente, suas mensagens comerciais no meio dos conteúdos de entretenimento. As crianças, ao acessarem sites, games, aplicativos e redes sociais são expostas a inúmeras formas de anúncios, entre elas os chamados unboxing, que são vídeos de publicidade infantil velada nos quais influenciadores mirins desembrulham “presentes”, normalmente enviados por empresas, e os apresentam para sua audiência. Além de ilegais, esses vídeos também contrariam os termos de uso das plataformas e, por isso, os responsáveis devem denunciá-los para a própria plataforma. Também é importante conversar com as crianças a respeito das intenções comerciais das empresas, estimulando  a formação de uma visão crítica desde cedo, e preferir canais infantis livres de publicidades infantis.

 

3. Direitos da criança por design: exija que plataformas e aplicativos respeitem as crianças 

Grande parte das plataformas, redes sociais e aplicativos que as crianças utilizam, na verdade, foram desenvolvidos para adultos e não levam em conta os riscos de seu uso pelo público infantil. Por isso, para garantir a proteção da criança com absoluta prioridade, qualquer produto ou serviço que crianças tenham contato, direta ou indiretamente no ambiente digital, deve ser orientado por “direitos da criança por design”. Em outras palavras, isso significa que será um espaço livre de publicidade infantil e sem exploração comercial ou, tampouco, monetização a partir da coleta de dados pessoais das crianças. É responsabilidade das empresas desenvolvedoras de plataformas e serviços online garantir essa proteção, mas uma medida que as famílias podem adotar é preferir plataformas e aplicativos que tenham sido desenvolvidos especificamente para o uso infantil.

 

4. AddBlocks: Utilize bloqueador de anúncios e navegação anônima

Existem dois recursos simples que ajudam muito a reduzir o contato das crianças com publicidade infantil: instalar um bloqueador de anúncios e utilizar modo de navegação anônima. Essas medidas previnem que empresas monitorem as atividades das crianças e possam coletar informações sobre elas para anunciar produtos e serviços nos sites visitados.

 

5. Mais vitamina N (Natureza): troque o uso excessivo de telas ou dispositivos por atividades ao ar livre 

Uma forma de minimizar o contato das crianças com publicidade infantil online é substitutir e equilibrar o uso de telas e dispositivos (TVs, tablets ou smartphones) com atividades que promovam o contato com a natureza, como andar de bicicleta ou fazer um piquenique no parque. Para ajudar na escolha do passeio, conheça as sugestões do programa Criança e Natureza e do  GPS da Natureza, de locais visitados por outras famílias e atividades que podem ser feitas por lá, considerando o tempo disponível, a faixa etária das crianças, entre outras dicas.

 

6. Cumprimento da Lei: publicidade infantil é ilegal na internet também

A publicidade direcionada às crianças é considerada abusiva pela legislação vigente, conforme o artigo 227 da Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Código de Defesa do Consumidor (CDC), e a Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Especificamente sobre ambiente digital, a Lei 13.709, conhecida como Lei Geral da Proteção de Dados (LGPD), que entrará em vigor em agosto de 2020, tem por objetivo regulamentar o tratamento da proteção de dados de usuários, sempre no melhor interesse da criança, o que não inclui exploração comercial como a publicidade infantil. Além disso, a proteção da criança frente à publicidade infantil em ambiente digital também está sendo incluída pelo Comitê sobre Direitos da Criança da Organização para as Nações Unidas (ONU) no novo Comentário Geral sobre os direitos da criança.

 

O Criança e Consumo lembra que é responsabilidade das empresas anunciantes parar de direcionar publicidade para crianças e das plataformas e desenvolvedores de aplicativos e games considerar a proteção dos direitos e a segurança infantis com absoluta prioridade na concepção de seus produtos e serviços

 

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