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Um momento de celebrar, relembrar e olhar para o futuro

Um momento de celebrar, relembrar e olhar para o futuro

Um momento de celebrar, relembrar e olhar para o futuro

Evento no Tucarena, em São Paulo, comemorou os 10 anos do projeto Criança e Consumo e reuniu diversos amigos e parceiros importantes dessa trajetória.

Foram 10 anos de luta, histórias, discussões e conquistas. Nessa última década, o tema do consumismo infantil e a bandeira do fim da publicidade dirigida às crianças foram colocados em discussão pelo projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, ao lado de inúmeros parceiros. Para celebrar essa trajetória, amigos, conhecidos e interessados no debate participaram do evento comemorativo de 10 anos do projeto, no dia 14 de abril de 2016, no Tucarena, em São Paulo. Um momento para relembrar, compartilhar novos caminhos e também de reencontrar antigos companheiros.

Durante o evento foi lançado o livro Criança e Consumo – 10 anos de Transformação, que traz artigos, na sua maioria inéditos, de conselheiros do projeto e especialistas que auxiliam na construção dessa história. Para coroar o momento, os conselheiros presentes participaram de uma roda de conversa mediada pela jornalista Maria Cristina Poli, na qual levaram seus olhares multidisciplinares para a questão do consumismo infantil seus impactos não somente no desenvolvimento infantil, mas na sociedade, nas famílias, no meio ambiente e na economia.

Na abertura, o Grupo Teatro Livre apresentou cenas da peça Homo Shoppiens, que questiona a sociedade de consumo em que vivemos e a condição de estarmos imersos nesta lógica. Em seguida, a psicanalista Ana Olmos, a nutricionista Maysa Toloni, coautora do artigo assinado pelo ex-conselheiro José Augusto Taddei, e o procurador de Justiça João Lopes Guimarães Júnior foram ao centro da arena para discutir a questão da obesidade infantil e medidas eficazes para reduzi-la, que passam necessariamente pela regulamentação da publicidade e alimentos não saudáveis para crianças.

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Na roda sobre ética e consumo participaram Pedrinho Guareschi, filósofo, e Vidal Serrano, Procurador de Justiça. “Não podemos negar que vivemos em uma sociedade de consumo, mas o problema é quando o consumo se torna o objetivo final de nossas vidas”, colocou Pedrinho. Levando para o campo do direito, Vidal Serrano fez uma análise sobre direitos fundamentais e econômicos, afirmando que o segundo deve obrigatoriamente respeitar o primeiro.

Nádia Rebouças, consultora de comunicação que trabalhou durante muitos anos no meio publicitário, afirmou que a ética é fundamental, e que muitas vezes os publicitários não sabem do erro que estão cometendo. “A sociedade consegue mudar essa situação, vimos isso na última década com os diversos movimentos que surgiram”, analisou. Para José Eduardo Elias Romão, advogado, a relação de desigualdade entre a criança e adulto, mostra que não é possível tratar com a criança questões que eles não entendem, “é necessário respeitá-los nos diversos âmbitos”.

A socióloga Inês Vitorino entrou para a conversa e comentou sobre o fato de a publicidade ter se proliferado e diversificado suas formas de direcionamento, “ela não está apenas na televisão, está amplamente disseminada nos diversos meios de comunicação que a criança entra em contato diariamente. Não há um lugar em que ela esteja totalmente preservada”. Flávio Paiva, jornalista, completou falando da importância da cultura para o desenvolvimento das crianças e como contraponto a cultura consumista.

Na última roda, Marcelo Sodré, Procurador do Estado, ampliou a reflexão sobre a proibição da publicidade direcionada ao público infantil ao colocar que na Constituição Federal temos a ausência da palavra “comercial”, quando se refere à liberdade de expressão, e a presença da palavra prioridade, quando trata da proteção da criança. “Não pode existir conflito entre esses termos. A proteção da criança é prioritária e impõe-se diante de outros direitos previstos na própria Constituição”, explicou. Rachel Biderman, ambientalista, e Ladislau Dowbor, economista, encerraram a noite com apontamentos para o futuro e sobre a importância de se pensar o legado que deixaremos para as próximas gerações. Ladislau fechou a noite dizendo que não temos como não incluir a questão econômica e ambiental nessa equação sobre consumo infantil.

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