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“Remédio não é alimento”

“Remédio não é alimento”

“Remédio não é alimento”

Procon do Mato Grosso recebe representação contra a Bayer por dirigir publicidade ao público infantil na campanha do suplemento vitamínico Redoxitos.

A empresa Bayer foi denunciada pelo Projeto Criança e Consumo por direcionar as estratégias de comunicação mercadológica do produto Redoxitos, suplemento alimentar de vitamina C, para crianças. Em forma de bala de goma, o produto é anunciado como uma maneira de complementar as necessidades de vitamina C das crianças a partir de 4 anos, sem esclarecer que se trata de um remédio e que portanto, não pode ser comparado a frutas, legumes e vegetais.

Com o objetivo de dialogar com a criança em diversos momentos do seu dia, foi desenvolvida uma comunicação transmídia em diferentes meios. Na televisão, a publicidade veiculada nos canais infantis pela Bayer mostra uma versão modificada do conto infantil “Os três porquinhos” que tem como narrador uma criança. As animações e efeitos visuais constroem uma ligação entre diversão e o consumo do Redoxitos.

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Fotos: Reprodução

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No site da empresa há um jogo chamado “Missão Planeta C”, o objetivo é capturar alimentos e Redoxitos para escapar de agentes infecciosos. Feito com o intuito de gerar simpatia pela marca, o jogo transmite para as crianças valores de alimentação saudável atrelados à ingestão do suplemento vitamínico. Outra estratégia para promover o produto foi a parceria com o filme “Divertidamente” da Pixar Disney. As embalagens promocionais são decoradas com personagens do filme e informam que Redoxitos é um alimento, e não um suplemento vitamínico.

A empresa enviou também o produto para mães com blogs populares. Algumas delas ajudaram a divulgar o Redoxitos postando fotos e participando de eventos como a pré-estreia do filme “Divertidamente” e em atividades nos shoppings e farmácias. Em compensação, outras mães blogueiras se posicionaram contra a publicidade desenvolvida pelo produto. O MILC (Movimento Infância Livre de Consumismo) criou na internet a campanha “Remédio não é bala”, valorizando a ingestão de alimentos in natura, ricos em vitamina C, em detrimento do consumo de suplementos.

“A campanha do Redoxitos faz uma relação proposital entre o doce e a medicação com o apelo de ser mais fácil de ser ministrada em crianças”, conta Mariana Sá, do MILC. “A indústria, além de fazer suas campanhas massivas usando meios tradicionais, vem assediando mães blogueiras para que atuem na promoção desse novo tipo de produto farmacêutico. Distribuindo brindes, além de bugigangas com a sua marca para mães acompanhadas dos seus filhos, muitos dos quais bebês”, explica.

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Fotos: Reprodução/ Facebook Milc

Segundo Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), “a criança que tem uma alimentação saudável já ingere naturalmente esse nutriente”. A quantidade recomendada para crianças de 4 a 10 anos é de 30mg por dia, valor facilmente suprido com um pedaço de mamão, por exemplo. Ao consumir o Redoxitos, a criança além de ingerir vitamina C (ácido ascórbico), ingere também diversos componentes artificiais e açucares.

“A estratégia de comunicação do produto Redoxitos violou a legislação brasileira vigente que considera abusiva e ilegal a publicidade direcionada para o público infantil com menos de 12 anos”, esclarece a advogada do Instituto Alana, Ekaterine Karageorgiadis. “Além disso, há um agravante por se tratar de uma empresa de medicamentos que busca convencer crianças a consumirem seus produtos, que em excesso pode levar a graves consequências para a saúde”, alerta.

O Criança e Consumo solicitou ao Procon do Mato Grosso que sejam tomadas medidas jurídicas para coibir essa prática comercial, a fim de que a empresa acabe com tal abusividade e ilegalidade e deixe de realizar ações semelhantes, bem como repare os danos já causados às crianças.

Acompanhe o caso:

Foto capa: Via Flickr Vladimir Agafonkin

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