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Cariocas debatem consumismo infantil

Cariocas debatem consumismo infantil

Cariocas debatem consumismo infantil

Ciclo de palestras no Rio de Janeiro aborda os desafios da educação em uma sociedade que estimula o consumismo entre as crianças

Nas últimas duas semanas, o Rio de Janeiro abriu os braços para a discussão de temas urgentes como consumo, infância, cidadania e sustentabilidade. Em comemoração ao Dia das Crianças e ao Dia do Consumo Consciente, o Instituto Alana, em parceria com o Midrash Centro Cultural, organizou um ciclo de palestras com especialistas das áreas de comunicação, educação e psicologia.

Os debates aconteceram nos dias 17 e 24 de outubro e lotaram o auditório do Midrash. Entre os palestrantes, a publicitária Nádia Rebouças, o jornalista Marcus Tadeu, a educadora Regina Assis e a psicóloga Laís Fontenelle, do Instituto Alana.

A proposta era abordar os desafios da educação em uma sociedade que estimula o hiperconsumo e a descartabilidade. Os palestrantes mostraram como as crianças têm, desde cedo, participado da engrenagem do mercado, numa fase essencial de formação de hábitos e valores. Elas estão cada vez mais expostas a mensagens que vendem a idéia da realização de sonhos, felicidade e inclusão social através da posse de mercadorias.

Temas como erotização precoce, estresse familiar, obesidade infantil, consumo prematuro de álcool e tabaco, diminuição do brincar e o impacto do consumismo na infância na sustentabilidade ambiental também fizeram parte dos debates.

 

Confira os melhores momentos de cada apresentação:

Marcus Tadeumostrou a trajetória histórica, desde os anos 1950, da produção audiovisual para crianças no Brasil, e foi apontando o lugar que da criança em cada período: primeiro como espectador/ aprendiz, depois como parte do cenário e objeto de consumo, e depois como protagonista e consumidora. Ressaltou a falta de regulamentação e fiscalização existente no Brasil.

 

imageRegina Assis: como a criança de hoje não é mesma da de ontem, é necessário que a Educação se adapte com urgência para dar conta da geração atual, multitarefa, que se relaciona com as diferentes mídias concomitantemente. Ressaltou que pais, avós, educadores e todos aqueles que se relacionam com crianças devemos passar valores mais humanos e menos materialistas, e que uma educação pautada na ética e na estética é a chave para transformação. Devemos educar para a cidadania e não para o consumo sem reflexão.

 

imageLais Fontenelle: falou sobre o impacto da comunicação de mercado na sociedade de consumo, mostrando como a publicidade e seu discurso persuasivo impactam nossos desejos, mas, principalmente, o das crianças, seres ainda em desenvolvimento e portanto mais vulneráveis aos apelos de consumo. Mostrou como uma experiência de mobilização no terceiro setor pode fazer a diferença, usando a trajetória da área de Defesa do Instituto Alana. Incentivou  a sociedade civil a se organizar e lutar pelos seus direitos e pelos direitos das crianças, que deveriam ser honradas em sua essência.

 

imageNádia Rebouças: mostrou que a mudança de paradigmas, de valores e de escolhas dos indivíduos, do mercado, do Estado e da sociedade se faz urgente, já que a forma como temos nos relacionado entre pares e com os recursos naturais tem se mostrado insustentável. Afirmou acreditar que vivemos um momento único de transformação de consciência e que devemos parar e pensar não somente sobre nossos próprios hábitos de consumo e sobre nossas escolhas, mas também em mobilizar para transformar os problemas em soluções criativas. Concluiu dizendo que enquanto todos acreditarem que o ser humano está a serviço da economia nada vai mudar, mas quando começarmos a enxergar que a economia é que deve estar a serviço do humano, podemos ter novidades.

 

Se quiser saber mais sobre o tema, acesse o blog do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Você encontrará uma série de textos que refletem sobre consumismo na infância, transformação de valores, mercantilização da criança etc.

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