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Mattel faz parceria com canal de youtuber mirim para promover bonecas

Mattel faz parceria com canal de youtuber mirim para promover bonecas

Mattel faz parceria com canal de youtuber mirim para promover bonecas

A Mattel, fabricante de brinquedos, fez parceria com canal de youtuber infantil para divulgação do desafio ‘Escola Monster High’ e promoção da linha de bonecas da marca.

A Mattel foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo pelo projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, por explorar a audiência de um canal de youtuber mirim para anunciar produtos da linha Monster High, por meio da promoção ‘Você Youtuber Escola Monster High’. A ação mercadológica direcionada, principalmente, para meninas tinha como objetivo promover a marca e seus produtos licenciados, valendo-se da influência que a apresentadora mirim, Julia Silva, tem junto a mais de dois milhões de seguidores.

Na primeira parte da ação, a apresentadora publicou uma série de quatro vídeos pela qual ensinava, a convite da ‘Escola Monster High’, outras crianças a se tornarem youtubers. Nas vídeo-aulas, a youtuber aparecia sempre vestida com roupas das personagens e em um cenário decorado por bonecas e produtos licenciados da marca. Ao final da série, foi lançada a promoção ‘Escola Monster High’, exclusiva para meninas entre quatro e 16 anos. Para participar, as garotas deveriam gravar e postar vídeos cumprindo desafios publicados pela youtuber.

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A cada semana, uma participante era escolhida para ganhar uma boneca Monster High e dois ingressos para o ‘Encontrinho’, um evento de formatura da ‘Escola’ com a presença da youtuber mirim, realizado na sede da Mattel, decorada na ocasião com diversos elementos alusivos as Monster High. Cada vencedora recebia, também, durante o evento, fantasia das personagens e uma mochila contendo produtos variados, todos licenciados da marca e estampados com desenhos das bonecas.

“A ação da empresa incentivava que as participantes imitassem e recriassem o conteúdo publicado pela youtuber mirim, despertando nas meninas o desejo de comprar os produtos apresentados. Além disso, a ação de marketing foi realizada fazendo parecer que tudo não passava de uma brincadeira entre crianças, em um contexto de faz de conta de escola com provas e formatura”, explica Isabella Henriques, diretora de Advocacy do Instituto Alana.

“Direcionar publicidade para criança viola o artigo 227 da Constituição Federal, que garante que as crianças sejam tratadas com prioridade absoluta, inclusive nas relações de consumo, o Código de Defesa do Consumidor e a Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que considera abusiva, e portanto, ilegal a publicidade direcionada a criança”, completa Isabella Henriques.

Acompanhe o caso:

Foto: Reprodução/ Facebook

2 comentários em “Mattel faz parceria com canal de youtuber mirim para promover bonecas
  1. Fernanda Pires says:

    Por isso que as emissoras de televisão aberta desistiram de programas para as crianças. Programas infantis não são de graça, na tv a cabo os canais recebem dinheiro dos assinantes e na tv aberta nada.A publicidade tem um grande importância para os programas infantis,nenhuma empresa de outra género anuncia nos intervalos e os programas cada vez mais foram substituído por programas femininos e as crianças ficarão sem espaço na tv.Proibiram os merchandising,proibiram os comercias de brinquedos, como uma fabricantes de brinquedos ou de produto alimentícios pode vender se não há publicidade? O fim da publicidade infantil vem trazendo mais consequências ruins as crianças do que benefícios. Quantas crianças assistiam programas infantis e hoje nem rastro tem.Ninguem insiste em um produto caro sem retorno financeiro. As crianças mais pobres que não tem condição de pagar tv a cabo que saíram no prejuízo, Nem uma hora se quer de faixa as crianças na maior emissora do país. As empresas de brinquedos necessitam de comercias para viver e os próprios desenhos também.

    • Criança e Consumo says:

      Olá Fernanda, obrigada pela mensagem.

      Diferentemente do que as redes comerciais costumam alegar, a diminuição da programação infantil nos canais abertos não tem relação com restrições impostas ao direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica às crianças.

      As redes costumam culpar a Resolução nº 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), editada em 2014 – e que dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança -, pelo fim da programação infantil. Ocorre, todavia, que o espaço dedicado á programação infantil em canais abertos vem diminuindo desde 2010, em virtude, essencialmente, do interesse comercial das próprias emissoras.

      É certo que as emissoras tem o dever de dedicar parte de seu conteúdo ao público infantil. Não podemos, contudo, querer garantir o direito das crianças a uma programação televisiva de qualidade violando outro direito, ou seja, direcionando, a meninos e meninas com menos de 12 anos, publicidade que usa da sua falta de discernimento para induzir-lhes ao consumo de produtos e serviços. A publicidade para crianças é abusiva, portanto, ilegal, nos termos do art. 37, parágrafo 2º, do Código de Defesa do Consumidor, desde 1990, aplicando às relações de consumo a prioridade absoluta que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem.

      Um abraço,
      Equipe Criança e Consumo.

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