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Voz às nossas crianças pelo clima e consumo

Voz às nossas crianças pelo clima e consumo

Voz às nossas crianças pelo clima e consumo

Por JP Amaral*

 

Na sexta-feira, 20 de setembro de 2019, jovens estão organizando mais de 3.000 greves pelo clima em cerca de 140 países e 2.400 cidades. No Brasil se registram 40 greves pelo clima em todas as regiões do país. Os jovens já estão entendendo a crise climática que vivemos e o consumismo está no centro da discussão.

A forma como produzimos e consumimos é o maior desafio para de fato alcançar um equilíbrio do clima e garantir a vida neste planeta. As discussões sobre como mitigar os efeitos das mudanças climáticas passam por uma análise de todos os setores possíveis e suas contribuições. Reduzir o desmatamento e queimada das florestas, promover a mobilidade ativa e transportes mais eficientes e menos poluentes e garantir uma matriz energética limpa são alguns dos desafios que passam por essas decisões. Mas o que realmente impulsiona todos esses setores e seus efeitos é o consumismo.

A sociedade do hiperconsumo em que vivemos é responsável por gerar cidades dependentes de transportes motorizados que são insustentáveis para a vida urbana, por demandar tantos produtos industrializados que geram resíduos em proporções catastróficas e por demandar da natureza mais do que ela é capaz de regenerar, que consequentemente reverberam nos efeitos oriundos das mudanças climáticas. 

A infância não se isenta dessa pressão do consumismo, muito pelo contrário. É nesta fase da vida em que se forma a sociedade embasada em padrões de consumo. Já mostramos aqui, por exemplo, como a publicidade infantil de brinquedos pode trazer prejuízos ambientais significativos com o excesso de resíduo plástico. Também já evidenciamos, por esta pesquisa da The Lancet, como sistemas econômicos pautados pelo consumismo e que aumentam os efeitos climáticos estão interligados com a má nutrição de crianças.

Para um futuro climático seguro, precisamos resolver a raiz do problema – o consumismo. É este modelo que dita como vivemos e como impactamos o planeta. Sem mudá-lo, estaremos nos ausentando da emergência climática que nossas crianças estão nos alertando. Para além deste dia 20, faça sua parte indo às ruas, passando a mensagem das crianças e as apoiando, cobrando dos governos e das empresas medidas mais radicais que mitiguem as mudanças climáticas e permitam uma co-existência duradoura entre as futuras gerações e o meio ambiente. Afinal, o que as crianças estão reivindicando no mundo todo hoje é o seu direito a um futuro.

Se não você, quem? Se não agora, quando?

 

*JP Amaral é mobilizador no programa Criança e Consumo

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