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Wesley Safadão e Sharenting: os riscos da superexposição de crianças na Internet

Wesley Safadão e Sharenting: os riscos da superexposição de crianças na Internet

Wesley Safadão e Sharenting: os riscos da superexposição de crianças na Internet

Muitos cantores, hoje, se voltam à estratégia de divulgação de uma novidade musical com a criação de uma “dancinha”. E não há nada de errado com isso. Porém, nas últimas semanas, um caso envolvendo Wesley Safadão e Sharenting tem gerado muitas críticas: sua filha de oito anos participou de um vídeo promovendo a nova música do cantor.

 

O compartilhamento de fotos e vídeos de crianças por seus familiares, como foi o caso de Safadão, é tão recorrente nos dias de hoje ao ponto de ganhar uma expressão específica – Sharenting. Por mais que as publicações possam ser motivadas por boas intenções, na maioria dos casos, o movimento de superexposição fere o direito à preservação da imagem de crianças e adolescentes. Além disso, é uma brecha para que diferentes empresas tenham acesso a informações desses jovens e os explorem comercialmente. Ainda, o sharenting cria rastros digitais: informações pessoais que ficam registradas na Internet, com consentimento ou não.

 

“Todo esse conteúdo publicado pelos pais, mães e responsáveis geram rastros digitais que podem ser usados contra as crianças. Isso causa a criação, extremamente precoce, de perfil dos usuários para disponibilização de conteúdos personalizados, inclusive comerciais.” Maria Mello, coordenadora do Criança e Consumo.

 

O tratamento desse rastro digital gera, aliás, enormes oportunidades de lucro para as Big Techs. Essas empresas estruturam seus modelos de negócios com base na coleta de dados pessoais. Então, por conta das consequências do sharenting, crianças e adolescentes podem acabar perdendo o direito de usufruir de um ambiente digital livre da exploração comercial.

 

“Precisamos entender a gravidade do sharenting na sua dimensão coletiva, ou seja, como todos nós, enquanto usuários que interagem com esses conteúdos, temos responsabilidade na preservação dos direitos de crianças e adolescentes. E como as plataformas digitais, enquanto locais onde a prática ocorre, se beneficiam e estimulam o fenômeno”, alerta Maria Mello.

 

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