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‘Tem que ter’: Riachuelo extrapola no uso do imperativo

‘Tem que ter’: Riachuelo extrapola no uso do imperativo

‘Tem que ter’: Riachuelo extrapola no uso do imperativo

Comunicação mercadológica para o Dia das Crianças é recheada de apelos ao público infantil com mensagem em tom imperativo.

A rede de lojas Riachuelo foi denunciada ao PROCON de Boa Vista pelo Criança e Consumo, após receber reclamações de mães, por dirigir a comunicação mercadológica da nova campanha do Dia das Crianças ao público infantil, contrariando a legislação vigente.

Anunciada em canais infantis e em redes sociais, a campanha conta com a presença de crianças e animações que mesclam realidade e fantasia. Além de utilizar mensagens de apelo e imperativas, como “No Dia das Crianças Riachuelo tem que ter” e “Agora você leva seus personagens favoritos sempre com você!”, ao anunciar peças de vestuário infantil com estampas dos personagens Ben 10, Frozen, Peppa Pig, Hello Kitty, Avenger e Minion.

Entre as estratégias da empresa está o direcionamento às crianças de uma promoção que envolve a distribuição de brinquedos colecionáveis na compra de peças de roupas. Também houve o lançamento da campanha com Realidade Aumentada que estimula as crianças a baixar o aplicativo em smartphones ou tablets para ter acesso a conteúdos exclusivos, que só podem ser visualizados após mirar nas etiquetas das camisetas da nova coleção.

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“O comercial televisivo e os vídeos apresentam mensagens imperativas, como a repetição do ‘tem que ter’, uma manifestação ao consumismo. Além disso, é uma campanha transmídia, que uma mistura entre realidade e fantasia, o que pode facilmente confundir as crianças e fazer com que associem a marca a momentos lúdicos e de diversão. Crianças não compreendem o caráter persuasivo da publicidade por isso abusam da fase de desenvolvimento em que se encontram”, explica Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Instituto Alana.

Marina Lago, mãe de um menino de 4 anos, denunciou a publicidade pois entende que a música cantada no comercial é abusiva, repetitiva e induz as crianças a acreditarem que precisam dos produtos anunciados, inclusive os brinquedos promocionais. “Meu filho reproduziu a fala ‘tem que ter’ para mim e finalizou querendo o brinquedo. A propaganda é veiculada em intervalo de desenhos infantis, o que impossibilita que eu mude de imediato, antes de meu filho ouvir. A filha da minha vizinha, de 6 anos, também viu o comercial e disse para  mãe ‘Viu, tem que ter a roupa do Frozen’”, conta.

O Criança e Consumo solicita ao Procon de Roraima que sejam tomadas medidas jurídicas para que a empresa cesse com tal abusividade e ilegalidade, deixe de realizar ações semelhantes, bem como repare os danos já causados às crianças de todo o país.

Acompanhe o caso:

Foto: Reprodução

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