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Sonhos roubados, sonhos realizados

Sonhos roubados, sonhos realizados

Sonhos roubados, sonhos realizados

Outras Palavras e Criança e Consumo realizam CineDebate em São Paulo para discutir infância, gênero, consumo e violência.

Três meninas moradoras de uma favela carioca lutando para sobreviver e sonhando com uma vida melhor. As personagens Jessica, Daiane e Sabrina reúnem no filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck, um pouco da vida de seis jovens retratadas no livro As Meninas de Esquina, da jornalista Eliane Trindade. O filme mostra algumas das estratégias para sobreviver, consumir, superar problemas do cotidiano e realizar sonhos.

O filme inspirou a conversa sobre ‘Infância, Gênero, Consumo e Violência’, realizado pelo Outras Palavras e o Projeto Criança e Consumo, no dia 5 de outubro, que foi mediada pela jornalista Carolina Trevisan, dos Jornalistas Livres, especialista na cobertura de direitos humanos e Jornalista Amiga da Criança.

Jailson de Souza e Silva, geógrafo, educador e fundador do Observatório de Favelas, um dos convidados do debate, destacou após a exibição do filme a importância de olhar a favela a partir de um novo lugar. “Atualmente ela é vista pelo prisma da carência, da precariedade, da ausência, mas seu espaço e moradores devem ser tratados pelo paradigma da potência”, destacou. “Se a gente olhar dessa forma, vamos ver que tem alegria, felicidade, crianças criando, experiências coletivas acontecendo. Na favela existem sonhos roubados, mas sonhos realizados também”, explicou Jailson. “O processo dessas meninas tem muito dessa tentativa de se inserir e ganhar visibilidade, mas tem muita afirmação de afeto de desejo, de vontade que são fundamentais na vida”, completou.

A jornalista e autora do livro, Eliane Trindade, contou como foi o processo de escrita dessas histórias de vida. “Escolhemos construir um diário, para aproximar as meninas de uma linguagem juvenil”, disse. “O diário era como uma amiga e a partir dele elas começaram a pensar na sua própria vida”, relembrou Eliane.

Ana Olmos, psicanalista especialista em crianças e adolescentes, também participou do debate e trouxe para a conversa a questão clínica destas personagens que representam muitos jovens brasileiros. “Vimos no filme exemplos de famílias disfuncionais, aquelas que não conseguem dar suporte para uma criança se desenvolver adequadamente, sob o ponto de vista biopiscossocial, para se constituir como sujeito”, comentou.

Nesse cenário, a publicidade, a televisão e as diferentes formas midiáticas surgem para colocar um padrão, um exemplo e impor desejos. “A gente produz uma sociedade, e a publicidade tem um grande papel nisso, centrada na produção de bens distintivos e de universalização de uma lógica privatizante de acesso a esses bens”, falou Jailson. “O problema fundamental não é o consumo, mas quando ele nos consome, hierarquiza as relações sociais. A pessoa não pode simplesmente violentar o outro por conta desse consumo”, disse.

A partir da reflexão colocada pelos convidados, o público apresentou questões e destacou a importância de eventos como esse para debater temas atuais e relevantes. “São esses encontros que vão dando novas percepções. Temos que trabalhar em rede para potencializar cada informação e transformar informação e conhecimento”, encerrou Ana Olmos.

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