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Candide se compromete a parar de explorar comercialmente youtubers mirins

Candide se compromete a parar de explorar comercialmente youtubers mirins

Candide se compromete a parar de explorar comercialmente youtubers mirins

Mais uma vitória contra a publicidade infantil! A Candide, empresa que comercializa a linha de bonecas  “L.O.L. Surprise!” no Brasil, entre outros brinquedos, no começo de março,  assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), representado pela promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva. No TAC, a empresa se compromete a parar de explorar comercialmente youtubers mirins. Ou seja, ela não irá mais contratá-los, exceto com a devida autorização judicial, nem a fazer publicidade clandestina, incluindo unboxing, em nenhum meio de comunicação. Além disso, pactua que não vai postar em suas redes sociais vídeos espontâneos de influencers mirins com produtos da marca. 

 

“Esse acordo é bastante significativo, pois impõe à Candide importantes limites à exploração do trabalho de crianças influenciadoras digitais”, comenta Maria Mello, coordenadora do Criança e Consumo. “Além disso, é importante lembrar que a publicidade infantil não é permitida no ambiente digital. Essa prática é ilegal de acordo com o Código de Defesa do Consumidor e do Estatuto da Criança e do Adolescente, citados no TAC do Ministério Publico do Espírito Santo. A empresa se aproveitou do fenômeno dos youtubers mirins para direcionar publicidade velada a uma audiência gigantesca de outras crianças. Assim, comemoramos o ajustamento de conduta da empresa e o que ele significa para infâncias mais protegidas on-line e off-line”. 

 

Caso que levou ao comprometimento de parar de explorar comercialmente youtubers mirins

A assinatura do TAC é o desfecho de uma denúncia feita pelo Criança e Consumo ao MP-ES em 2019. Na época, constatamos que a Candide realizava publicidade infantil na internet por meio de ações de unboxing com youtubers mirins. A linha de bonecas colecionáveis “L.O.L. Surprise!” era, então, a divulgada. Nos vídeos, influenciadores mirins desembrulhavam diferentes modelos das bonecas (incluindo as chamadas “raras”) para uma audiência também infantil. Apesar de parecer uma atitude espontânea, esses conteúdos faziam parte da estratégia de divulgação da empresa, já que o colecionismo, a surpresa e a raridade são elementos que estimulam as crianças ao desejo de consumo.  

 

Além disso, destacamos na denúncia que a empresa demonstrava descaso com os impactos ambientais e a sustentabilidade do planeta. Isso, uma vez que promovia a ideia de que parte da brincadeira seria apenas descascar e descartar as várias camadas de plástico que envolvem as bonecas. O impacto ambiental da publicidade infantil das bonecas “L.O.L. Surprise!” é, especificamente, abordado na pesquisa “Infância Plastificada”. O estudo foi lançado em 2020 pelo Criança e Consumo. Mostramos que, com o plástico imediatamente descartado das camadas que envolvem cada uma das cerca de 800 milhões de bonecas “L.O.L. Surprise!” vendidas nos dois primeiros anos de lançamento do produto, seriam suficientes para dar 24 voltas em torno da Terra. 

 

Aliás, aqui você pode acompanhar e relembrar todas as etapas da denúncia

 

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