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Combate à obesidade, questão de vontade política

Combate à obesidade, questão de vontade política

Combate à obesidade, questão de vontade política

Margaret Chan, presidente da Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma que o maior desafio atual na promoção de saúde é enfrentar os interesses econômicos de fabricantes de cigarros, alimentos e bebidas alcoólicas.

Os alarmantes dados relacionados a doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs) são hoje uma das grandes preocupações da OMS, assim como a ineficácia dos governos em lidar com o problema. Só em 2008, as DCNTs foram responsáveis por 36 milhões de mortes no mundo, ultrapassando as causadas por doenças infecciosas, além de causar altos gastos de saúde pública. No entanto, poucas políticas sobre o assunto são aprovadas. Qual o motivo por trás desse quadro?

Para Margaret Chan, diretora-geral da OMS, está clara a relação entre a ineficácia dos governos e os interesses da poderosa indústria de tabaco, alimentos e bebidas alcoólicas. “Nem um único país conseguiu lidar com a epidemia de obesidade, em qualquer faixa etária. Isso não é um fracasso da força de vontade individual. É um fracasso da força de vontade política de enfrentar as grandes corporações”, afirmou em discurso na abertura da 8ª Conferência Global de Promoção da Saúde, que aconteceu dia 10 de junho, em Helsinki, na Finlândia.

A diretora reafirmou que as empresas temem a regulação e são uma força contrária à adoção de estilos de vida e hábitos mais saudáveis. “Eles promovem táticas que os fazem parecer corporações respeitáveis aos olhos do governo e do público. Falam argumentos que colocam a responsabilidade de hábitos saudáveis somente nos indivíduos e as ações governamentais como uma interferência nas liberdades pessoais e de escolha”, disse na ocasião. Ao mesmo tempo, as empresas promovem táticas como lobbies, promessas de autorregulação, processos e pesquisas financiadas pelo próprio empreendimento, que confundem o consumidor.

Chan ressaltou ainda que o poder econômico se traduz em poder político, o que podemos ver com o imenso lobby promovido pelas indústrias contra qualquer tipo de regulação. “Poucos governos dão prioridade à saúde, em vez de interesses econômicos, e, como aprendemos com a indústria do tabaco, uma empresa poderosa consegue vender praticamente qualquer coisa ao público”, continuou em seu discurso. A diretora terminou reafirmando que, na visão da OMS, “a formulação de políticas de saúde deve ser protegida da distorção dos interesses comerciais”.

Foto: WHO/Pierre Albouy

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