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O que influenciadores digitais adultos devem fazer para contribuir com um Dia das Crianças livre de consumismo

O que influenciadores digitais adultos devem fazer para contribuir com um Dia das Crianças livre de consumismo

O que influenciadores digitais adultos devem fazer para contribuir com um Dia das Crianças livre de consumismo

 

Influenciadores digitais têm uma voz com a qual seu público se identifica, na qual acredita e confia. E isso é muito potente, mas também requer responsabilidade. Com a aproximação do Dia das Crianças, é de se imaginar que algumas empresas estejam fazendo propostas para que esses adultos produtores de conteúdo digital realizem vídeos para promover suas marcas e produtos ao público infantil, em especial brinquedos. São as famosas “#publis”. Mas é aí que mora o perigo, porque qualquer comunicação comercial direcionada a crianças é publicidade infantil, uma prática abusiva e, portanto, ilegal no Brasil.

 

Mas, então, quais são as condutas e ações que influenciadores digitais podem praticar para produzir conteúdos com responsabilidade, ética e que protejam os direitos das crianças? Trazemos algumas dicas abaixo!

 

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1. Tenha uma postura de corresponsabilidade com as crianças

Influenciadores conquistaram credibilidade com seu público porque o que dizem e o que produzem é importante para seus seguidores. Portanto, na hora de levar qualquer mensagem adiante, reflita sobre quais valores você está repassando – ainda mais se seu público for infantil. Ser procurado(a) por uma marca para fazer uma parceria patrocinada é, sem dúvida, um sinal de reconhecimento do seu trabalho, mas esteja atento(a) para não aceitar propostas que possam ferir os direitos das crianças. Dica de ouro: muitas vezes as empresas apresentam ideias que, à primeira vista, não parecem ser publicidade infantil, por isso, pergunte sempre se o público-alvo dessa ação são crianças. Se a resposta for sim, significa que é publicidade infantil, uma prática abusiva e ilegal. É melhor pular fora ou refletir junto com a marca sobre um caminho alternativo, que não direcione a comunicação comercial para crianças.

 

2. Só aceite fazer publicidade se for para adultos

Qualquer tipo de publicidade deve ser direcionada exclusivamente para adultos, isso também inclui parcerias pagas em conteúdos ou qualquer formato nas mídias digitais. Então, se você decidir fazer uma ação publicitária no seu canal ou perfil, tenha certeza de que você estará falando com adultos. Mesmo marcas e produtos infantis devem ser promovidos apenas para mães, pais ou cuidadores, que são os verdadeiros responsáveis pela decisão de compra. Para entender melhor quais elementos caracterizam uma publicidade infantil, clique aqui.

 

3. Faça sua parte na campanha #livredepublicidadeinfantil

Convidamos você a se posicionar publicamente pelo fim da publicidade infantil: use a hashtag #livredepublicidadeinfantil para sinalizar que você não faz essa prática ilegal. E, sempre que possível, traga para seus conteúdos a reflexão sobre consumo responsável e sobre como a publicidade direcionada a crianças é prejudicial para seu desenvolvimento pleno. Aqui no site, temos vários materiais de referência que podem te ajudar! Nossos canais também estão sempre abertos para conversarmos, fale com a gente!

 

4. Cuide da sua reputação ao fazer parceria com uma empresa

Mesmo que você já não faça publicidade infantil e se preocupe com os valores que passa para os adultos e para as crianças, preste atenção na conduta da empresa com quem você está fazendo uma parceria. Será que ela respeita igualmente? Vale, portanto, checar os canais da empresa e como ela faz publicidade, seja na TV, em meios digitais ou mesmo em lojas e supermercados. Se ela usar personagens nas embalagens para atrair crianças ou aplicar linguagem infantil em seus anúncios, por exemplo, já são indícios de que tem algo de errado aí. Isso é importante não só pela sua corresponsabilidade na proteção das crianças, mas também para manter sua reputação frente a um público que confia em você e replica suas mensagens. Outra sugestão é, sempre que receber uma proposta, pergunta à empresa ou à agência quais outras estratégias estão sendo realizadas para a campanha publicitária, para além da parceria com você. Isso vai dar caminhos para dizer se é uma empresa que direciona comunicação comercial para crianças ou não.

 

5. Seja a mudança que você quer para o mundo 

Você pode fazer a diferença entre continuarmos sendo uma sociedade baseada em valores consumistas do ter ou nos aproximarmos mais de valores humanos do ser. E saiba que essa mudança é fundamental para a proteção e o desenvolvimento de todas as crianças. Portanto, além de não fazer publicidade infantil, aborde e reflita sobre consumismo infantil e quais valores são importantes para as múltiplas infâncias, sempre que puder. Produza conteúdos que ajudem a transformar nosso mundo em um lugar mais sustentável, ético e justo! Leia nossos manifestos “Consumismo infantil: Um problema de todos”, “O que é essencial para nossas crianças?” e o próprio manifesto do Dia das Crianças para se inspirar ainda mais.

 

6. Saiba o que caracteriza publicidade infantil 

Publicidade infantil é qualquer tipo de comunicação mercadológica direcionada a crianças. Este infográfico ajuda a entender rapidinho! E a principal referência legal para compreender elementos característicos da publicidade infantil é a Resolução 163 de 2014 do Conanda. Esta é uma norma construída com diversos atores da sociedade que apresenta aspectos que ajudam a classificar um conteúdo ou peça publicitária como publicidade dirigida às crianças. Inclusive, você pode sempre anexar este documento nas suas propostas de parceria com empresas para garantir que a campanha respeitará a proteção dos direitos das crianças. Entenda tudo sobre esta resolução, qual a sua importância e como ela foi construída.

 

7. Entenda a legislação brasileira sobre o assunto

As leis brasileiras estabelecem que a publicidade infantil é ilegal. O artigo 227 da Constituição Federal determina a responsabilidade compartilhada entre famílias, Estado e toda a sociedade (o que inclui as empresas) em assegurar os direitos das crianças, com absoluta prioridade. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8.069/1990) reconhece a criança como pessoa em especial fase de desenvolvimento físico, social e emocional e busca garantir o seu melhor interesse em qualquer tipo de relação. O Código de Defesa do Consumidor – CDC define que a publicidade dirigida a crianças, por se aproveitar da deficiência de julgamento e experiência desse público, é abusiva e, portanto, ilegal. O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ainda, determina a proteção da criança contra toda forma de violência e pressão consumista e a adoção de medidas que evitem sua exposição precoce à comunicação mercadológica. A partir de todos esses marcos legais, o Superior Tribunal de Justiça vem ratificando a abusividade da publicidade infantil

 

8. Faça parte do movimento por uma infância livre de consumismo

Gostou dessas dicas e quer mergulhar ainda mais nessa discussão? Em breve, vamos fazer uma formação exclusiva para influenciadores digitais, trazendo palestras e materiais para quem produz conteúdo em redes sociais e quer saber como contribuir para uma infância livre de consumismo. Saiba como participar e faça sua pré-inscrição aqui. Também vale convidar aquele(a) influenciador(a) digital que você segue e admira, envie essa lista para ele(a) e diga que você gostaria de vê-lo(a) produzindo conteúdos nessa linha!

 

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