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O que famílias podem fazer no Dia das Crianças

O que famílias podem fazer no Dia das Crianças

O que famílias podem fazer no Dia das Crianças

 

Mães, pais e responsáveis diretos pelas crianças, que acompanham o dia-a-dia do desenvolvimento delas, sentem na pele a pressão da publicidade infantil. São eles que escutam os pedidos insistentes das crianças por produtos que foram abusivamente anunciados diretamente para elas na TV, nos vídeos do YouTube, em games e em vários outros espaços de convivência e meios de comunicação.

 

No Dia das Crianças essa pressão aumenta consideravelmente e precisamos buscar recursos e maneiras de driblar e lidar com esse estímulo consumista. A questão não é presentear ou não a criança – isso acreditamos que precisa ser uma escolha das famílias – mas, sim, garantir que a decisão venha das famílias e não do mercado. O Dia das Crianças não precisa de brinquedos novos para ser um dia feliz, como algumas empresas insistem em ensinar para as crianças.

 

Este ano está ainda mais desafiador, mas é possível ter um Dia das Crianças feliz e livre de exploração comercial infantil, em 2020. Preparamos aqui algumas dicas para ajudar as famílias nisso. Vamos conferir?

 

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1. Crie novas tradições

Esqueça a ideia de que o Dia das Crianças deste ano vai passar em branco se não tiver um presente comprado! Em vez de enfrentar o trabalho de ir em lojas ou entender como comprar on-line, que tal estimular a criatividade para pensar novas formas de brincar com materiais que já temos em casa? Presença ainda é melhor do que presente! Crie uma experiência nova que combine com os interesses da criança, como: montar uma pequena horta, fazer uma receita nova, construir um castelinho com as almofadas da sala (uma pequena bagunça sempre gera risadas e memórias!), fazer pinturas e depois organizar uma exposição de arte pela casa. No portal do Lunetas tem uma série de materiais e ideias de brincadeiras e brinquedos que podem ser criados ou inventados sem sair de casa.

 

2. Se for comprar um presente, escolha de forma consciente 

Não há nada de errado em presentear a criança em ocasiões especiais, caso essa seja uma escolha consciente dos adultos. Mas é bom lembrar que, em datas comemorativas, muitas empresas anunciantes investem intensamente em formas de despertar desejo e fazer a criança acreditar que a única forma de comemorar é ganhando um brinquedo novo. O aumento do volume de publicidade infantil impulsiona ainda mais os pedidos insistentes das crianças e pode levar ao consumo irrefletido. Por isso, independentemente de optar pela compra, aproveite o Dia das Crianças para conversar com os pequenos sobre consumismo e o real valor de um presente.

 

3. Tente reduzir o consumo de plástico

Aproveite essa oportunidade de consumir de forma consciente para também contribuir para o planeta e para a saúde das crianças. A pesquisa Infância Plastificada mostra que 90% dos brinquedos do mundo são feitos de materiais plásticos e que, em excesso, podem causar problemas de saúde nas crianças. Além disso, o lixo plástico é o principal causador de contaminação dos oceanos. Portanto, pode ser um bom momento para buscar presentes mais sustentáveis, como brinquedos feitos localmente por artesãos, e evitar as inúmeras embalagens que vêm nos presentes. Veja aqui algumas brincadeiras para reduzir o consumo de plásticos e também esta gincana de Caça aos Plásticos para fazer em casa com as crianças.

 

4. Encontre natureza dentro de casa!

O momento de pandemia pode estar privando muitas crianças de vivências ao ar livre, como parques e praias. Mas sabia que em casa também pode ter natureza? Existem formas de fazer cultivos de “pequenas naturezas” e atividades naturais dentro de casa. O programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, fez um material com sugestões para as famílias para você se inspirar.

 

5. Prepare a pipoca e faça uma sessão cinema! 

Não tem nada mais gostoso do que fazer um balde grande de pipoca e juntar a família toda no sofá para assistir algo especial juntos! A plataforma Videocamp preparou a playlist infantil Quem são os heróis das crianças? com 13 episódios da série Mytikah. A dica é assistir à série com os pequenos e depois engatar uma conversa sobre o que mais chamou a atenção deles. Também vale estimulá-los a desenhar e contar a história com suas próprias palavras! Ah, o Videocamp ainda organizou duas playlists especiais com documentários e séries para os adultos refletirem sobre uma infância livre de consumismo: “O que desejamos para nossas crianças?” e “Vamos expandir o brincar?”. E o melhor: todos estão disponíveis on-line e gratuitamente! Não dá para perder, hein!

 

6. Cuidado redobrado com o YouTube!

A internet está cada vez mais na vida de todos nós, inclusive das crianças. Neste momento de pandemia, especialmente, muitas atividades essenciais para o desenvolvimento delas podem ser facilitadas por plataformas digitais – é o caso dos estudos e da comunicação com colegas e familiares, por exemplo.  Mas isso não significa que todos os espaços da internet estejam preparados para receber crianças e respeitar todos os seus direitos. O YouTube, por exemplo, apesar de muito popular entre o público infantil, conta com diversos anúncios publicitários – um dos motivos pelos quais é um site desenhado apenas para maiores de 13 anos.  Além desses anúncios próprios da plataforma, algumas empresas se aproveitam da popularidade do YouTube para direcionar publicidade velada para as crianças, nos conteúdos por elas assistidos, a exemplo dos já famosos vídeos unboxing. Identificar esse tipo de publicidade infantil pode ser difícil até mesmo para os adultos, mas o portal Lunetas tem uma lista de canais no YouTube livre de publicidade direcionada a crianças. Vale a pena conferir!

 

7. Conheça as consequências da publicidade infantil

A publicidade infantil estimula comportamentos consumistas em crianças, podendo deixá-las constantemente insatisfeitas com o que têm e sempre desejando mais, podendo levar ao consumo em excesso. Além disso, também ensina que elas serão mais valorizadas pelo que têm do que pelo que são. Entre as consequências negativas dessa influência estão: distúrbios alimentares, aumento nos índices de obesidade infantil e outras doenças não-transmissíveis (quando falamos da publicidade de alimentos não saudáveis), reforço a estereótipos de gênero, estresse familiar, impactos ambientais, estímulo à violência, diminuição de brincadeiras livres e criativas, entre outros. Dissemine essa mensagem para que mais mães, pais e responsáveis estejam conscientes dessas consequências e somem à pressão pelo fim da publicidade infantil.

 

8. Defenda o fim da exploração comercial das crianças por empresas

As leis brasileiras estabelecem que a publicidade infantil é ilegal. O artigo 227 da Constituição Federal determina a responsabilidade compartilhada entre famílias, Estado e toda a sociedade (o que inclui as empresas) em assegurar os direitos das crianças, com absoluta prioridade. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8.069/1990) reconhece a criança como pessoa em especial fase de desenvolvimento físico, social e emocional e busca garantir o seu melhor interesse em qualquer tipo de relação. O Código de Defesa do Consumidor – CDC define que a publicidade dirigida a crianças, por se aproveitar da deficiência de julgamento e experiência desse público, é abusiva e, portanto, ilegal. O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ainda, determina a proteção da criança contra toda forma de violência e pressão consumista e a adoção de medidas que evitem sua exposição precoce à comunicação mercadológica. A partir de todos esses marcos legais, o Superior Tribunal de Justiça vem ratificando a abusividade da publicidade infantil. Mesmo assim, muitas empresas ainda insistem em realizar essa prática abusiva. Em datas comemorativas, como o Dia das Crianças, essa pressão do mercado sob as crianças aumenta e precisamos estar ainda mais atentos. Você sabia que qualquer cidadão pode fazer uma denúncia de publicidade infantil? Denucie e exija das empresas anunciantes que cumpram as leis e parem de explorar comercialmente as crianças!

 

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