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O que famílias podem fazer no Dia das Crianças

O que famílias podem fazer no Dia das Crianças

O que famílias podem fazer no Dia das Crianças

Mães, pais e responsáveis pelas crianças, que acompanham o desenvolvimento delas, sentem na pele a pressão da publicidade infantil. São eles que escutam os pedidos insistentes das crianças por produtos que foram abusivamente anunciados diretamente para elas na TV, na internet, em games e em vários outros espaços de convivência e meios de comunicação.

 

No Dia das Crianças, essa pressão aumenta consideravelmente e precisamos buscar recursos e maneiras de lidar com esse estímulo consumista. A questão não é presentear ou não a criança, mas garantir que essa decisão venha das famílias, não do mercado. Datas comemorativas não precisam de brinquedos novos para serem boas, como algumas empresas insistem em falar para as crianças. É possível, de fato, ter um Dia das Crianças feliz e livre de exploração comercial infantil. Preparamos aqui algumas dicas para ajudar as famílias nisso. Então, vamos conferir?

 

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1. Crie novas tradições neste Dia das Crianças

Que tal estimular a criatividade para pensar novas formas de brincar com materiais que já temos em casa? Presença ainda é melhor do que presente. Então, crie uma experiência nova que combine com os interesses da criança. Pode ser montar uma pequena horta, construir um castelinho com almofadas ou fazer pinturas e organizar uma exposição de arte. No portal do Lunetas tem uma série de materiais e ideias de brincadeiras e brinquedos que podem ser inventados sem sair de casa.

 

2. Se for comprar um presente, escolha de forma consciente 

Não há nada de errado em presentear a criança em ocasiões especiais, caso essa seja uma escolha consciente dos adultos. Mas é bom lembrar que, em datas comemorativas, muitas empresas anunciantes investem intensamente em formas de despertar desejo e fazer a criança acreditar que a única forma de comemorar é ganhando um brinquedo novo. O aumento do volume de publicidade infantil impulsiona ainda mais pedidos insistentes das crianças e pode levar ao consumo irrefletido. Por isso, independentemente da compra, aproveite o Dia das Crianças para falar para os pequenos o real valor do presente.

 

3. Tente reduzir o consumo de plástico

Aproveite essa oportunidade de consumir de forma consciente para também contribuir para o planeta e para a saúde das crianças. A pesquisa Infância Plastificada mostra que 90% dos brinquedos do mundo são feitos de materiais plásticos. Além disso, o plástico em excesso pode causar problemas de saúde nas crianças. Sem falar que o lixo plástico é o principal causador de contaminação dos oceanos. Portanto, pode ser um bom momento para buscar presentes mais sustentáveis e evitar as inúmeras embalagens que vêm nos presentes. Veja uma gincana de Caça aos Plásticos para fazer em casa com as crianças.

 

4. Encontre natureza em qualquer lugar

Mesmo que não seja possível ir a parque, praia ou outro lugar natural, sabia que em casa pode ter natureza? Existem formas de fazer cultivos de “pequenas naturezas” e atividades naturais dentro de casa. O programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, fez um material com sugestões para as famílias para você se inspirar.

 

5. Prepare a pipoca e faça uma sessão cinema

Não tem nada mais gostoso do que fazer um balde grande de pipoca e juntar a família toda no sofá para assistir algo especial juntos! A plataforma Videocamp tem diversos filmes e animações infantis. Vale assistir a alguns com os pequenos e, logo após, estimulá-los a desenhar e contar a história com suas palavras! Acreditamos que filmes têm um papel fundamental na promoção de debates públicos e podem ser excelentes ferramentas de transformação social. Então, aproveite o Dia das Crianças para refletir sobre uma infância livre de consumismo com a nossa playlist no Videocamp. E o melhor: ela está disponível on-line e gratuitamente!

 

6. Cuidado redobrado com a internet no Dia das Crianças e sempre

O mundo digital está cada vez mais na vida de todos nós, inclusive na das crianças. Muitas atividades essenciais para o desenvolvimento delas podem ser facilitadas por plataformas digitais.  Mas isso não significa que todos os espaços da internet estejam preparados para receber crianças e respeitar todos os seus direitos. Por isso, devemos ficar de olho nos perigos que empresas e plataformas digitais podem apresentar ao público infantil. A campanha Twisted Toys mostra exatamente isso por meio de brinquedos tradicionais, como um ursinho de pelúcia que coleta dados pessoais das crianças e os vende para que corporações lucrem com eles.

 

O YouTube, por exemplo, apesar de muito popular entre o público infantil, conta com diversos anúncios publicitários. Esse, aliás, é um dos motivos pelos quais o site é desenhado apenas para maiores de 13 anos.  Além disso, algumas empresas aproveitam da popularidade do YouTube para direcionar publicidade velada a crianças, como nos famosos vídeos unboxing. Identificar esse tipo de anúncio pode ser difícil, mas o Portal Lunetas tem uma lista de canais livres de publicidade infantil. Vale a pena conferir!

 

7. Conheça as consequências da publicidade infantil

A publicidade infantil estimula comportamentos consumistas em crianças, podendo deixá-las constantemente insatisfeitas com o que têm e sempre desejando mais. Além disso, também “ensina” que elas serão mais valorizadas pelo que têm do que pelo que são. Entre as consequências negativas dessa influência estão: distúrbios alimentares, aumento nos índices de obesidade infantil e outras doenças não-transmissíveis (quando falamos da publicidade de produtos alimentícios), reforço a estereótipos de gênero, estresse familiar, impactos ambientais, estímulo à violência, diminuição de brincadeiras livres e criativas, entre tantos outros. Fale sobre isso com outros responsáveis para que estejam conscientes e somem à pressão pelo fim da publicidade infantil.

 

8. Defenda o fim da exploração comercial das crianças por empresas

As leis brasileiras estabelecem que a publicidade infantil é ilegal. O artigo 227 da Constituição Federal determina a responsabilidade compartilhada entre famílias, Estado e toda a sociedade (o que inclui as empresas) em assegurar os direitos das crianças com absoluta prioridade. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8.069/1990) reconhece a criança como pessoa em especial fase de desenvolvimento físico, social e emocional e busca garantir o seu melhor interesse em qualquer tipo de relação. O Código de Defesa do Consumidor – CDC define que a publicidade dirigida a crianças, por se aproveitar da deficiência de julgamento e experiência desse público, é abusiva e, portanto, ilegal.

 

O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ainda, determina a proteção da criança contra toda forma de violência e pressão consumista e a adoção de medidas que evitem sua exposição precoce à comunicação mercadológica. A partir de todos esses marcos legais, o Superior Tribunal de Justiça vem ratificando a abusividade da publicidade infantil. Mesmo assim, muitas empresas ainda insistem em realizar essa prática abusiva. Em datas comemorativas, como o Dia das Crianças, essa pressão do mercado sob as crianças aumenta e precisamos estar ainda mais atentos. Aliás, você sabia que qualquer cidadão pode fazer uma denúncia de publicidade infantil? Denucie e exija das empresas anunciantes que cumpram as leis e parem de explorar comercialmente as crianças!

 

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