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O que educadores podem fazer no Dia das Crianças

O que educadores podem fazer no Dia das Crianças

O que educadores podem fazer no Dia das Crianças

 

Educadoras e educadores têm um papel fundamental no direito ao desenvolvimento e educação integral da criança. A pandemia está aí para transparecer isso, mais do nunca, para toda a sociedade. E isso significa promover a aprendizagem de valores como a dignidade, a justiça, o respeito e a valorização das diferenças, a sustentabilidade entre tantos outros que as crianças vão levar para o resto da vida.

 

O Dia das Crianças é uma excelente oportunidade para refletir sobre o consumismo e os impactos da publicidade infantil e a Escola tem um papel relevante na educação de crianças e adolescentes autônomos, responsáveis, críticos e saudáveis. Por isso, trazemos algumas dicas para que profissionais da educação possam transformar suas aulas em espaços de cultivo de valores mais humanos, menos consumistas e fazer parte deste importante movimento.

 

Faça parte deste movimento e receba nossas novidades:

 

1. Converse sobre consumismo e datas comemorativas

Sempre que possível, reflita com as crianças sobre o real significado de datas comemorativas. O Dia das Crianças pode ser um bom mote! Comece perguntando às crianças porque elas acham que é necessário comemorar o Dia das Crianças. Reúna todas as ideias em um mesmo espaço. Depois, você pode contar para elas a história do Dia no Brasil. Para saber mais, acesse este conteúdo. Converse com elas como as datas comemorativas são estratégias utilizadas por empresas para alavancar suas vendas. Escute outros exemplos que as crianças conheçam de datas comemorativas que tenham origens parecidas. Estimule uma pesquisa em sites ou mesmo conversando com familiares. Posteriormente, .reflita com elas sobre outras significados e sentidos que uma data como o Dia das Crianças pode receber. E quais outras formas de comemoração podem ser criadas por elas em substituição de compra de presentes. Se a turma mesmo assim achar que presentes são necessários, pondere presentes como afeto e presença.

 

2. Promova investigações e brincadeiras que ajudem a criança identificar a origem e destino daquilo que ela consome

Você conhece a origem dos objetos que utilizamos no dia-a-dia? E quando não precisamos mais usá-los? Para onde eles vão? Por toda a educação básica, é importante que as crianças pesquisem e aprendam com a origem dos objetos. Áreas do conhecimento como ciências, matemática, linguagens e artes podem ser acionadas com uma investigação em livros, internet ou ainda conversando com familiares e profissionais de diferentes áreas. Além disso, uma pesquisa em comum leva as crianças a colaborar. Importante habilidade a ser desenvolvida. Uma ideia legal é fazer um exercício simples de perguntar para as crianças sobre a origem e destino de bens de consumo como brinquedos comprados nesta data. Peça para que as crianças pesquisem em grupos e depois apresentem aos colegas o que descobriram. Você sabia que 90% dos brinquedos produzidos mundialmente são feitos com algum tipo de plástico? E a publicidade infantil de brinquedos plásticos estimula o consumo excessivo desses produtos, podendo gerar consequências graves para a saúde das crianças e o meio ambiente. Saiba mais sobre isso na pesquisa Infância Plastificada. Para estimular a reflexão das crianças sobre esse tema, veja aqui algumas brincadeiras para reduzir o consumo de plásticos e convide as crianças a brincar de uma divertida Caça aos Plásticos (uma versão adaptada de “Caça ao Tesouro”).

 

3. Incentive crianças e famílias a brincar mais

Você já sabe que o brincar é muito importante para o desenvolvimento infantil. E sabe também que ele é uma linguagem em que a criança expressa toda sua potência criativa e na solução de problemas, né?! Mas sabia que a criança depende muito pouco de um brinquedo para isso? Estimule brincadeiras que utilizem somente a criatividade, a imaginação e materiais não estruturados e ou reutilizados – como materiais que as crianças têm acesso em casa ou elementos simples da natureza! No portal do Lunetas tem uma de ideias de brincadeiras e brinquedos que podem ser criados ou inventados. Ah, e lembre-se: qual o destino dos objetos que consumimos? Que tal essa pergunta servir de fantasia e imaginação para as crianças?

 

4. Ajude as crianças a encontrarem a natureza dentro de casa!

O momento de pandemia pode estar privando muitas crianças de vivências ao ar livre, como parques e praias. A escola para muitas delas também era um importante espaço para aprendizagens onde o corpo todo estava em jogo. Mas sabia que em casa também pode ter natureza? Explique isso aos pequenos, estimule o olhar curioso deles e mostre que existem formas de fazer cultivos de “pequenas naturezas” e atividades naturais dentro de casa. O programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, reuniu nesta página recursos, materiais e artigos que podem ajudar educadores e educadoras a atravessarem a situação colocada pela pandemia. Além disso, confira também esse material com atividades e referências para você se inspirar!

 

5. Ensine que brincar (e trocar) é mais divertido que comprar

Respeitando o isolamento físico que ainda é necessário, este ano está bem delicado pensar em encontros para as famosas Feiras de Trocas de Brinquedos, mas ainda podemos estimular a reflexão sobre brincar e trocar ser mais divertido que comprar. Mesmo que os brinquedos, em si, não possam ser trocados, ainda é possível fazer “trocas virtuais”, compartilhando brincadeiras e ensinando umas às outras. Algumas comunidades escolares têm se organizado para fazer trocas e doações para quem precisa de itens básicos ou mesmo brinquedos para outras crianças, respeitando todos os protocolos de distanciamento e higienização dos produtos.

 

6. Filmes para inspirar e apoiar seu desenvolvimento profissional

A plataforma Videocamp preparou listas especiais de sugestões de filmes e séries inspiradoras para educadores. A primeira delas é O que desejamos para nossas crianças? com documentários e séries que convidam a refletir sobre o maior “legado” que podemos deixar para elas: a garantia de acesso à uma educação de qualidade: inclusiva, solidária e transformadora. A segunda lista é a Vamos expandir o brincar?  com 4 documentários que mostram que, para brincar livremente, as crianças não precisam de muito e que o nosso papel enquanto adultos pode ser observar e aprender. Ah, e ainda tem uma lista para o público infantil, a Quem são os heróis das crianças? com 13 episódios da série Mytikah. E o melhor: tudo isso on-line e de graça!

 

7. Converse com as crianças sobre cidadania digital

As crianças estão, mais do que nunca, presentes na internet, seja para interagir com amigos e familiares, para estudar ou para acessar conteúdos de entretenimento. Isso traz muitas oportunidades mas também muitos desafios, como exposição a vários tipos de violência e à violação de direitos. Cultivar a cidadania no ambiente digital e fora dele está presente em muitas das competências gerais da Base Nacional Curricular Comum a serem desenvolvidas. O evento Ser Criança no Mundo Digital, promovido pelo Instituto Alana, trouxe uma série de especialistas para debater esse tema em diferentes perspectivas. Os materiais e gravações do seminário estão disponíveis on-line, no site do evento, vale a pena conferire saber como podemos apoiar crianças a agir de maneira responsável, equilibrada e criativa.

 

8. Oriente as famílias para que tenham atenção com publicidade infantil na internet 

Para além das oportunidades, os riscos aos quais as crianças estão expostas na internet também são muitos – e alguns deles, como a exploração comercial, nem sempre são evidentes. O YouTube, por exemplo, apesar de não ser uma plataforma destinada ao uso por crianças, conta com um público infantil enorme e algumas empresas anunciantes se aproveitam disso para direcionar publicidade velada para as crianças, a exemplo dos já famosos vídeos de unboxing. Identificar publicidade infantil nesta plataforma pode ser difícil até mesmo para os adultos, mas o portal Lunetas tem uma lista de canais no YouTube livre de publicidades direcionada a crianças, vale a pena conferir e indicar para as famílias!Aliás, famílias e educadores podem ser parceiros e dialogar mais sobre os desafios de ser criança no mundo digital. Você já escutou o que as famílias dos seus alunos pensam sobre isso?

 

9. Conheça as consequências da publicidade infantil

A publicidade infantil estimula comportamentos consumistas em crianças, ou seja, a consumir em excesso e estar constantemente insatisfeitas, desejando mais. Além disso, também ensina que elas serão mais valorizadas pelo que têm do que pelo que são. Entre as consequências negativas dessa influência estão: distúrbios alimentares, aumento nos índices de obesidade infantil e outras doenças não-transmissíveis, reforço a estereótipos de gênero, estresse familiar, impactos ambientais, estímulo à violência, diminuição de brincadeiras livres e criativas, entre outros. Dissemine essa mensagem para que mais educadora(e)s e pais estejam conscientes dessas consequências.Você pode organizar conversas remotas ou mesmo indicar materiais para as famílias e comunidades escolares assistirem. Conhece Criança, a alma do negócio? Ou ainda compartilhar vídeos curtos para disparar boas conversas.

 

10. Entenda a legislação brasileira sobre o assunto

Você, professora ou professor, é dos atores sociais que contribuem para a efetivação, promoção e defesa dos direitos das crianças dentro das escolas. Por isso, nunca é demais conhecer a legislação que afeta a vida de seus alunos, não? As leis brasileiras estabelecem que a publicidade infantil é ilegal. O artigo 227 da Constituição Federal determina a responsabilidade compartilhada entre famílias, Estado e toda a sociedade (o que inclui as empresas) em assegurar os direitos das crianças, com absoluta prioridade. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8.069/1990) reconhece a criança como pessoa em especial fase de desenvolvimento físico, social e emocional e busca garantir o seu melhor interesse em qualquer tipo de relação. O Código de Defesa do Consumidor – CDC define que a publicidade dirigida a crianças, por se aproveitar da deficiência de julgamento e experiência desse público, é abusiva e, portanto, ilegal. O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ainda, determina a proteção da criança contra toda forma de violência e pressão consumista e a adoção de medidas que evitem sua exposição precoce à comunicação mercadológica. A partir de todos esses marcos legais, o Superior Tribunal de Justiça vem ratificando a abusividade da publicidade infantil

 

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