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Ministério Público investiga abuso no Super Jogo da Vida

Ministério Público investiga abuso no Super Jogo da Vida

Ministério Público investiga abuso no Super Jogo da Vida

Depois do Super Banco Imobiliário, mais um jogo de tabuleiro será investigado pelo MP-SP, a partir de documentação encaminhada pelo projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana.

Se na década de 80 o Jogo da Vida fez sucesso por simular a vida de uma pessoa – em que o jogador possuía opções de carreira, casamento, nascimento de filhos, compra de casa, falência, aposentadoria – hoje, o jogo dirigido ao público infantil a partir de 8 anos de idade vai além e reproduz situações da vida real de um adulto, como realizar transações por meio de cartão de crédito e débito da empresa ‘MasterCard Brasil Soluções de Pagamento Ltda’ ou comprar automóveis da ‘Fiat S/A’, entre outros.

Com o objetivo de apurar a prática de merchandising dirigida a crianças no Super Jogo da Vida, a promotora de justiça Fabiola Faloppa, da Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos da Infância e Juventude da Capital, decidiu instaurar um inquérito civil.

Agora, são dois os jogos de tabuleiro produzidos pela empresa Manufatura de Brinquedos Estrela S.A. que estão sendo analisados pelo Ministério Público de São Paulo em razão de inserção de publicidade dirigida às crianças.

Durante a investigação do jogo Super Banco Imobiliário, o Instituto Alana apresentou, a pedido da Promotoria de Justiça, seu parecer sobre a abusividade da estratégia de inserir logotipos de empresas em jogos e brinquedos para crianças e informou que a mesma prática se repetia no Super Jogo da Vida, bem como em produtos de outras empresas.

Classificação etária

Pela prática abusiva do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica destinada a menores de 12 anos, o Criança e Consumo entende que o brinquedo viola as normas de proteção e defesa do consumidor e da infância, como o artigo 227 da Constituição Federal, o Código de Defesa do Consumidor e a recente Resolução 163/2014 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente).

“A estratégia publicitária é agravada pela inserção das marcas ao momento de entretenimento infantil, fazendo com que as crianças familiarizem-se com elas e passem a associa-las a valores tidos como positivos”, afirma a advogada do Instituto Alana, Ekaterine Karageorgiadis.

De acordo com Ekaterine, jogos com publicidade inserida deveriam ter suas classificações etárias alteradas, passando a ser recomendados apenas para maiores de 12 anos, conforme foi proposto pelo Instituto Alana em consulta pública promovida pela ABNT sobre normas de segurança de brinquedos.

Acompanhe o caso:
Estrela Manufatura de Brinquedos. – Jogo ‘Super Jogo da Vida’

Foto: Leandro Borges

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