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Festas infantis…Onde vamos parar?

Festas infantis…Onde vamos parar?

Festas infantis…Onde vamos parar?

O mercado das festas infantis – e dos valores que elas transmitem às crianças – é o tema deste artigo da psicóloga do Instituto Alana, Lais Fontenelle.

 Já faz um tempo que me debruço sobre o tema das festas infantis. No ano passado, escrevi alguns artigos sobre o assunto no blog www.consumismoeinfancia.org.br. Sem dúvida, o aniversário de um filho é algo bastante especial para as famílias – e que merece ser celebrado com o devido capricho. Mas, assim como muitas outras datas, fico com a sensação de que essa também foi mercantilizada. Vemos festas dos mais variados estilos e preços, boa parte delas inadequadas para a comemoração de mais um ano de vida dos pequenos.

Se pudesse datar o boom da mercantilização das festas infantis, diria que ele aconteceu com a moda das festas em buffet, onde a única coisa que remetia à infância era, em alguns casos, a assinatura com a letra da criança (dependendo da idade) no convite. Ao entrar em um buffet, o choque começava quando me deparava com o baú para depositar o presente ao homenageado – e, de fato, é esse o termo usado pela recepcionista que te recebe na entrada. Aquela delícia de dar o presente escolhido a dedo ou feito com as próprias mãos, e de receber do outro lado, parece estar fora de moda. Triste, não?

Mas esse era somente o início da festa, que seguia, na maioria das vezes, em horário e com músicas, comidinhas ou brincadeiras nada adequadas para crianças. Ao final, a criança geralmente voltava para casa cansada, mas com um saco cheio de presentes – e isso me fazia questionar o que estava sendo celebrado ali: as conquistas de mais um ano de vida ou o consumo?

Hoje, o espectro de escolhas para comemorar um aniversário de criança é muito maior do que as festas em buffet, e essas podem ter contornos bem mais ousados (e não menos inadequados). No ano passado, soube que as festas mais cobiçadas pelas crianças de classe alta de seis anos – ou será pelas mães dessas crianças? – eram aquelas que aconteciam dentro de uma limusine alugada. Pasmem! As mães alugam limusines por cerca de R$1.500 para festejar mais um ano da vida de seus filhos. E a comemoração era circular pela cidade, ao som da mais nova celebridade mirim do momento. A festa podia acabar ali mesmo ou ir além, com fechamento num cabeleireiro ou spa. Pois é… Mudaram não só os locais de comemoração como os valores que estão sendo transmitidos.

O tema é mesmo quente – tão quente que virou pauta para programa de tv. A nova série Festinhas de Arromba, de um canal por assinatura,vaiapresentar alguns dos mais luxuosos eventos para crianças, organizados por pais que não hesitam em gastar milhares de dólares para dar uma festa inesquecível a seus filhos. O programa será exibido às sextas-feiras, às 19h30, no Discovery Mulher. E eu me pergunto: qual enfoque será dado a esses eventos descabidos? Será ele crítico?

Acho que vale conferir na tentativa de pensar criativamente sobre o assunto, e em como comemorar o aniversário de seus filhos de forma mais sustentável e humana.

 

 

 

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