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Entidades brasileiras repudiam parceria de Jamie Oliver com a Sadia

Entidades brasileiras repudiam parceria de Jamie Oliver com a Sadia

Entidades brasileiras repudiam parceria de Jamie Oliver com a Sadia

Além da publicação de uma carta aberta, as organizações lançaram uma campanha online para pressionar o chef de cozinha a desistir da parceria.

Organizações da sociedade civil, entre elas o Instituto Alana por meio do projeto Criança e Consumo, divulgaram, no dia 18 de agosto, uma carta aberta de repúdio à parceria estabelecida entre o chef Jamie Oliver e a Sadia para a realização do projeto “Saber Alimenta”. A ação comercial, apresentada pela empresa como uma iniciativa educativa, tem como foco alunos entre seis e 10 anos dentro de escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

A carta direcionada ao chef, mundialmente conhecido por valorizar “práticas alimentares locais, o meio ambiente e o comércio ético”, aponta para os prejuízos e ilegalidades de veiculação de uma campanha de comunicação mercadológica dentro de escolas e ressalta a importância da promoção, proteção e garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável. Pede também que as crianças não sejam transformadas em promotoras de venda da Sadia e de outras marcas. No site da campanha, pessoas e organizações podem assinar o abaixo-assinado para que Jamie Oliver desista da parceria.

Desdobramentos

O Instituto Alana, por ser uma das entidades que assinaram a carta aberta, foi procurado por integrantes da equipe de Jamie Oliver e da Jamie Oliver Foundation, e no dia 3 de novembro participou de uma reunião à distância a respeito do ‘Saber Alimenta’.

Os representantes do chef de cozinha disseram que ele vem trabalhando há muitos anos com educação alimentar de crianças, e que desejaria conduzir mudanças positivas não apenas no Reino Unido, mas também em outros países. A parceria com grandes corporações contribuiria, em seu ponto de vista, para potencializar o impacto de sua iniciativa.

Com relação à parceria com a Sadia e as ações nas escolas, disseram que o programa é focado na educação alimentar de crianças, a partir da capacitação de professores, e que foi pedido que a empresa não incluísse sua marca e logotipos nas ações direcionadas aos alunos. Além disso, o projeto estaria em uma fase piloto, em Santa Catarina, e seus resultados ainda seriam avaliados, o que poderia ou não confirmar o cumprimento das metas em que acreditam, e, assim, a continuidade da parceria.

O Instituto Alana ressaltou sua atuação com relação ao fim da publicidade dirigida às crianças no Brasil e que a presença de marcas no ambiente escolar, espaço que deve ser protegido de qualquer tipo de intervenção mercadológica, é considerada ilegal e abusiva pela legislação brasileira. Além disso, destacou as iniciativas de políticas públicas, como o Guia Alimentar da População Brasileira, que reforçam a necessidade de se proteger as crianças do assédio comercial das indústrias alimentícias. Por fim, o Instituto Alana reforçou à equipe de Jamie Oliver a necessidade de formularem uma resposta ao coletivo de entidades signatárias da carta aberta, como garantia do princípio da transparência.

Veja também:
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Foto: Reprodução

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