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É pic, é pic… É hora, é hora, é hora

É pic, é pic… É hora, é hora, é hora

É pic, é pic… É hora, é hora, é hora

Hoje as festas infantis podem custar até R$ 100 mil. É preciso repensar essa nova realidade.

Por Laís Fontenelle, / Equipe

Já se foi o tempo em que a atração das festas infantis estava nos brindes feitos em casa ou no delicioso bolo da vovó. Hoje a comemoração do aniversário dos pequenos passa longe das conquistas daquele ano de vida da criança. As festas são um espetáculo a parte e podem custar até R$ 100 mil, principalmente se for copiada das de celebridades mirins, segundo coluna da Mônica Bergamo, publicada na Folha de S.Paulo no fim de semana passado. Bolo, balão, brigadeiro, presentes… Tudo isso ficou em segundo plano e cedeu espaço a festas temáticas com tantos detalhes na decoração e animação que mais se assemelham a casamentos ou festas de debutantes.

No ano passado fui convidada pelo jornal O Estado de São Paulo para comentar a febre de festas de meninas de seis e oito anos em limusines alugadas, por mais de R$1.500,00 ao som de Justin Bieber. Mas, muito antes disso, já tinha iniciado minha reflexão, no fim dos anos 90, sobre a “mercantilização dos aniversários dos pequenos” com o boom das festas em Buffet com som alto, comidas e decoração nada adequada para a faixa etária dos aniversariantes. Achei que as festas em limusines tinham sido o limite da sociedade de consumo para comemorar o aniversário de crianças, mas pelas últimas duas reportagens que li sobre festas infantis – uma na Revista do Globo, que tratava das festas em spas, e essa última na Folha sobre a dos filhos de celebridades, constatei que a criatividade do mercado não tem limites quando se trata de infância.

As empresas de festas infantis dão asas à imaginação dos adultos, nesse caso os pais, e fazem o que sua carteira poder pagar para tornar a festa do filho inesquecível. Para quem? Pergunto-me. Na reportagem sobre Comportamento da Revista do Globo do dia 05 de agosto de 2012 me choquei e me entristeci ao ler sobre as festas de meninas em spas com direito a esfoliação e banho de rosas, além de show de poodles. A diretora da empresa Animassom, especializada em festas de crianças do público AAA, disse, nessa mesma reportagem, que eles pensam em todos os detalhes para que a criança acredite estar vivendo um sonho. E, quando o sonho do adulto acaba no fim da festa vejo que a criança, geralmente, volta para casa mais cansada do que realizada e com um saco repleto de presentes.

Pois é… O que estamos celebrando? As conquistas de mais um ano de vida? O que será que estamos transmitindo a nossas crianças quando festejamos seu aniversário em spas, limusines ou com poodles dançando? O que elas vão querer para comemorar seus tão esperados quinze anos ou no dia de seu casamento se crescerem acreditando que podem pagar o que for pelos seus sonhos?

Existe saída viu? Outro dia tive um bom exemplo, que me foi reconfortante, quando recebi um convite da festa de aniversário do filho de uns amigos. Pasmem! O convite trazia estampado um desenho feito pela criança e vinha com sua letrinha escrita e não um personagem famoso. Chegando lá me deparei com a bela decoração: um longo varal de fotos de momentos marcantes do aniversariante com seus convidados ao longo daquele ano, mas confesso que o melhor foi o brinde que era um cd com o nome “As preferidas do Lucas” que trazia não os hits das rádios pop, mas as músicas mais ouvidas pelo aniversariante nesse seu ano de vida. Lindo! Ao final do parabéns percebi que o aniversariante saia com um saco não tão cheio de presentes, mas com um sorriso no rosto que denunciava que sua festa tinha sido um sonho. Acredito que isso sim é algo para festejarmos. E agora, que tal usarmos a imaginação, junto com nossos filhos, claro, para idealizar festas de aniversário mais sustentáveis e adequadas para nossas crianças? Tenho certeza que sairá bem mais barato e divertido. Vale experimentar porque a sua ideia pode pegar!

Foto: Marit Furulund 

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