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Criança e Consumo promove conversa sobre publicidade infantil em evento promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos

Criança e Consumo promove conversa sobre publicidade infantil em evento promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos

Criança e Consumo promove conversa sobre publicidade infantil em evento promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos

No último dia 29, o Criança e Consumo foi convidado para participar de um encontro realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). A organização reúne empresas nacionais e multinacionais produtoras de alimentos, bebidas, tecnologias e ingredientes. Durante a reunião, então, o programa falou sobre sua atuação em busca da garantia de infâncias livres de exploração comercial.

 

Ainda, foram estimuladas reflexões sobre o papel das empresas no processo da superação da publicidade infantil. Esse processo começa, de fato, com o respeito às leis já vigentes e passa pelo compromisso das marcas em não direcionar comunicação mercadológica para crianças

 

A conversa aconteceu no âmbito do comitê temático que se dedica a discutir questões relacionadas às práticas de comunicação no setor. Nesse sentido, foram mostrados exemplos de empresas que se posicionaram publicamente pelo fim da publicidade infantil, como é o caso das empresas Ben & Jerry’s e Mercur, entre outras.

 

A importância do diálogo com empresas e organizações como a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos

A busca do Criança e Consumo por gerar trocas com os atores do setor empresarial é essencial, pois elas contribuem para compreensão da responsabilidade que as companhias têm na garantia dos direitos das crianças. Além disso, esse processo pode resultar em conquistas para toda a sociedade

 

A Mercur, fabricante no setor de educação, assinou, em 2020, um compromisso pelo fim do direcionamento de publicidade infantil. Ainda, junto a esse movimento, lançou o documento “Guia Jeito Mercur de se Relacionar com o Público Infantil”. O documento, então, evidencia quais são as ocasiões que o relacionamento com as crianças não deve acontecer, por conta das consequências negativas dessas interações. 

 

No ano seguinte, em 2021, foi a vez da Ben & Jerry’s Brasil. A marca de sorvetes premium assumiu o mesmo posicionamento público e mudou paradigmas. Isso ocorreu, sobretudo, dentro de um setor que comercializa produtos que são desejados e consumidos por crianças.

 

Ainda, em 2016, a Coca-Cola comprometeu-se a não colocar crianças como protagonistas de publicidades, tanto na televisão, quanto na Internet. Apesar da representação infantil em peças publicitárias não ser, necessariamente, publicidade infantil, essa é uma característica comum desta prática ilegal. Além disso, o compromisso foi feito após o Criança e Consumo enviar uma notificação à empresa por uma campanha abusiva. A ação publicitária foi contra um acordo mundial da própria Coca-Cola, feito em 2013, de não direcionar publicidade para crianças com menos de 12 anos.

 

Consequências da publicidade infantil de produtos alimentícios

Algumas empresas acabam recorrendo à possibilidade de basear suas mensagens publicitárias no “fator amolação”. Esse conceito descreve a capacidade da criança de pedir incansavelmente até que os adultos sejam convencidos a comprar o produto. Tal situação acaba resultando em estresse familiar, principalmente quando considerado o atual cenário do país, no qual a insegurança alimentar, de forma grave ou moderada, se faz presente em 37,8% dos lares com crianças com menos de dez anos, e 8 a cada 10 famílias estão endividadas

 

Além do estímulo ao consumismo, a publicidade infantil ainda impacta diretamente na vida das crianças e de suas famílias. Quando falamos da divulgação de produtos alimentícios para o público infantil, o que é mais publicizado são, por exemplo, cereais açucarados, refrigerantes, guloseimas, doces, salgadinhos e fast-food. Ou seja, são produtos de baixa qualidade nutricional e que influenciam na criação de hábitos alimentares não saudáveis. Esse tipo de comunicação mercadológica pode resultar no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis..

 

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