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 “As Infâncias na Era da Convergência Digital”: crianças devem ser protegidas na internet, não da internet

 “As Infâncias na Era da Convergência Digital”: crianças devem ser protegidas na internet, não da internet

 “As Infâncias na Era da Convergência Digital”: crianças devem ser protegidas na internet, não da internet

Crianças estão cada vez mais na internet e têm direito de usufruí-la em segurança, de forma a ampliar suas potências. Aliás, a forma de assegurar essa condição precisa ser coletiva. Esse foi o mote do evento “As infâncias na Era da Convergência Digital – 4º Fórum Internacional Criança e Consumo”. Realizado entre os dias 16 e 18 de novembro de 2021, o encontro marcou, por meio de debates, lançamentos de publicações e exibição de vídeos inéditos, a comemoração dos 15 anos do programa Criança e Consumo, firmando sua constante inovação e atuação consistente para garantir infâncias livres de consumismo e exploração comercial.

 

“O Criança e Consumo cresceu demais e temos muito orgulho dele” disse a cofundadora e presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Villela, em seu depoimento para o 4º Fórum Internacional Criança e Consumo. “Mas, apesar disso, nossa grande meta é que um dia ele não precisa mais existir”.

 

O Fórum contou com especialistas nacionais e internacionais em temas como consumismo, infâncias e ambiente digital. O evento, inteiramente on-line e gratuito, foi voltado para famílias, educadores, profissionais do mercado anunciante, publicitário e de plataformas digitais, operadores do direito, especialistas, pesquisadores e interessados no tema digital e sua relação com infância e adolescência. Além disso, contou com tradução simultânea, legendas em tempo real e intérprete de Libras.

 

Confira o que foi discutido nesses 3 dias de evento:

 

Dia #1 – Consumismo infantil ontem e hoje (16/11/21) 

O evento começou investigando como o consumismo afeta crianças, famílias e toda a sociedade. Isso, aliás, considerando a publicidade infantil em suas várias formas e, hoje, ainda mais presente no ambiente digital. Guiado pela coordenadora do Criança e Consumo, Maria Mello, e a coordenadora de comunicação e relações corporativas do programa, Maíra Bosi, o primeiro dia de evento celebrou grandes marcos desses 15 anos de história do Criança e Consumo e iniciou a discussão de quais vivências – dentro e fora da internet – queremos para as crianças de hoje.

 

“E falamos de infâncias, no plural, porque sabemos que as infâncias são múltiplas e diversas. Ainda mais em nosso país, marcado por profundas desigualdades”, disse Maria Mello no fórum. “Falo aqui de acesso à educação, à alimentação, à saúde, à habitação, e também do direito de estarem sob cuidados de suas famílias, em segurança, o que foi negado a crianças que hoje são órfãs da pandemia, por exemplo”, concluiu.

 

O painel inaugural “Exploração comercial infantil: consumismo ontem e hoje” contou com a presença de Humberto Baltar (coletivo Pais Pretos Presentes), Deh Bastos (iniciativa Criando Crianças Pretas) e Inês Vitorino (LabGRIM  e conselheira do Criança e Consumo– UFC). A mediação dessa conversa foi feita por Pedro Hartung, diretor de Políticas e Direitos das Crianças do Instituto Alana. A discussão trouxe visões pessoais e sistemáticas dos impactos da exploração comercial infantil no cotidiano das crianças e das famílias. Além disso, foram abordados os desafios atuais do ambiente digital, que inaugura novos hábitos de consumo e formatos de publicidade. Alguns temas discutidos, por exemplo, foram impactos do consumismo nas infâncias negras, criação de valores consumistas e influenciadores mirins.

 

Também neste dia, foi lançada em português a publicação “O Futuro da Infância no Mundo Digital – Ensaios sobre Liberdade, Segurança e Privacidade. A coletânea internacional, com artigos de diversos especialistas, aponta caminhos para uma internet de fato segura para crianças e adolescentes. Há, ainda, um artigo do Instituto Alana que reflete especificamente sobre o contexto de crianças brasileiras e do sul global. A publicação foi originalmente publicada em inglês, pela 5Rights, e o Criança e Consumo realizou a tradução para o português e o lançamento no Brasil. Em seguida, Jeff Chester (CDD), um dos autores presentes na obra, fez uma palestra sobre “Infâncias, consumismo e big data”.

 

A primeira noite terminou com um show exclusivo de Luedji Luna. A cantora, que também é mãe, aproveitou para falar sobre a proteção de crianças frente à exploração comercial na internet.

 

Dia #2 – O que é a exploração comercial infantil na internet? (17/11/21)

No segundo dia de “As Infâncias na Era da Convergência Digital”, foi discutido como acontece, de fato, a exploração comercial de crianças e adolescentes na internet. A programação foi guiada pela comunicadora do programa, Giovana Ventura, e pela assistente jurídica do Criança e Consumo, Thais Rugolo.

 

Logo após a exibição de uma animação produzida pelo UNICEF sobre coleta e tratamento de dados pessoais infantis, o primeiro painel de conversas, “Exploração comercial infantil na internet: desafios contemporâneos“, abordou como o modelo de negócios de plataformas digitais viola os direitos das crianças. Isso por envolver coleta, armazenamento e processamento massivo de dados infantis pelo estímulo ao uso constante, hiperexposição e práticas vigilantistas. Participaram dessa conversa Rafael Zanatta (Data Privacy Brasil), Renata Tomaz (pesquisadora doutora em comunicação e conselheira do Criança e Consumo). Além disso, também ouvimos as próprias crianças e adolescentes, representados por Maria Clara Lacerda, jovem embaixadora do Criativos da Escola. A mediação foi feita pela Bia Barbosa, representante do 3º setor no CGI.br.

 

Além disso, também houve uma entrevista exclusiva que Josh Golin (Fairplay, EUA) fez com Duncan McCann (5Rights, Reino Unido). Duncan é um pesquisador, economista e pai inglês que abriu uma ação contra o YouTube pela proteção das crianças. Após essa conversa, foi exibido o vídeo “O que as crianças pensam sobre internet?”, produzido pelo Portal Lunetas.

 

Dia #3 –  Como garantir uma internet segura para as infâncias?(18/11)

O último dia de “As Infâncias na Era da Convergência Digital”, guiado pelo advogado do Criança e Consumo, João Francisco Coelho, e pela estagiária jurídica, Carolina Martinelli, abordou soluções multissetoriais para questões debatidas no evento. Em especial, como plataformas e empresas de tecnologia podem garantir o direito infantil de usufruir com segurança do ambiente digital. Ou seja, quais são as possíveis soluções para uma internet livre de exploração comercial de crianças e adolescentes.

 

A programação começou com a exibição de dois vídeos da campanha Twisted Toys, traduzida e acessibilizada pelo Criança e Consumo. Logo após, houve o lançamento do parecer “Dever geral de cuidado das plataformas diante de crianças e adolescentes. O documento foi encomendado pelo Criança e Consumo à advogada e professora Ana Frazão (UnB). Para aprofundar a discussão da responsabilidade de empresas na garantia dos direitos infantis, houve um bate-papo entre a autora e a professora Caitlin Mulholland (PUC-Rio).

 

Logo após, ocorreu o painel “A internet que queremos para as crianças: caminhos multissetoriais”, com Demi Getschko, considerado o “pioneiro da internet no Brasil” e presidente do CGI.br, Marina Feferbaum (FGV), Yasodara Cordova (Unico ID Tech) e Paulo Rená (Instituto Beta). A mediação ficou com Isabella Henriques, diretora executiva do Instituto Alana. Ela esteve à frente do Criança e Consumo desde o início e é responsável por grande parte de suas conquistas.

 

“Em relação a crianças e adolescentes, a internet precisa ser promotora de direitos para que elas possam usufruí-la na sua maior potência” disse Isabella Henriques. “Estando elas protegidas de quaisquer violências e exploração, como a discriminação preconceituosa e a exploração comercial”.

 

Finalizando o evento, foi apresentada uma versão reduzida do panorama internacional “Iniciativas de proteção infantil on-line no mundo“. Em depoimentos curtos, especialistas de diversos países comentaram ações governamentais e de organizações que promovem os direitos digitais de jovens. Participaram desse panorama Sonia Livingstone (LSE,Reino Unido), referência mundial em infância e internet, Awo Aidam Amenyah (Child Online Africa, Gana), Lionel Brossi (Universidade do Chile), Rys Farthing (Reset Austrália) e Bruno Studer (parlamentar francês).

 

Perdeu “As Infâncias na Era da Convergência Digital”?

Se você não conseguiu ou pôde assistir aos 3 dias do 4º Fórum Internacional Criança e Consumo, não se preocupe. Todas as transmissões ficaram salvas e é possível ver e rever quantas vezes quiser. Além disso, também convidamos você a compartilhar o evento com quem puder se interessar. Ajude a ampliar esse debate pela promoção de um ambiente digital, de fato, seguro e saudável para as crianças!

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