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YouTube é multado por coletar dados e segmentar anúncios para crianças

YouTube é multado por coletar dados e segmentar anúncios para crianças

YouTube é multado por coletar dados e segmentar anúncios para crianças

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) anunciou acordo que estipula multa de US$ 170 milhões ao Google e seu serviço YouTube, pelo recolhimento ilegal de dados de crianças na plataforma de vídeo. A empresa foi acusada de violar a lei americana de proteção à privacidade on-line de crianças (COPPA), que proíbe a coleta de dados pessoais de menores de 13 anos sem o consentimento dos pais. A multa aplicada foi calculada com base na estimativa de lucro da empresa ao utilizar esses dados para segmentar anúncios em vídeos direcionados ao público infantil.

Principais mudanças na plataforma

Em comunicado oficial, a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, anunciou uma série de mudanças que entrarão em vigor em um prazo de 4 meses e oferecerão novas proteções para crianças na plataforma. A principal delas é que não haverá mais direcionamento de anúncios personalizados para vídeos infantis. A empresa também passará a considerar como criança qualquer pessoa que assista conteúdos infantis e, por isso, não poderá mais coletar seus dados para fins de segmentação de anúncios. 

De acordo com o comunicado, o YouTube passará a aplicar técnicas de inteligência artificial e machine learning para identificar quando um vídeo tiver elementos que o classifique como infantil (tais como: personagens infantis, temas, brinquedos e jogos). Além disso, os criadores serão solicitados a sinalizarem quando seus conteúdos pertencerem a essa categoria. Outra novidade é que serão desativados os recursos de comentários e notificações em vídeos infantis. 

O YouTube declarou, ainda, que vai aumentar o investimento de recursos para incentivar os pais a utilizarem o YouTube Kids, plataforma mais segura para crianças menores de 13 anos. E, por fim, a empresa anunciou a destinação de um fundo de US$ 100 milhões para a produção de conteúdos globais apropriados ao público infantil. 

 

O alcance do youtube para o público infantil

O YouTube tem cerca de 2 bilhões de usuários mensais no mundo e, segundo seus termos de uso, não deveria ser utilizado por menores de 18 anos. Porém, não é isso que se verifica na prática. Assim como ocorre em outras redes sociais, as crianças acessam conteúdos indiscriminadamente na plataforma e, com isso, tornam-se alvos fáceis de mensagens publicitárias tanto em anúncios quanto no próprio conteúdo dos vídeos.

Segundo pesquisa realizada pela ESPM MEDIA LAB,em 2016,  entre os 100 canais da maior audiência no YouTube Brasil, 48 eram de conteúdo direcionado ou consumido por crianças. No mesmo ano, a audiência do conteúdo infantil na plataforma ultrapassou os 115 bilhões de visualizações. 

“O YouTube se aproveitou de sua popularidade entre as crianças para conseguir potenciais clientes corporativos”, afirmou Joe Simons, presidente da FTC, ao anunciar o acordo com a empresa. “Porém, quando se tratava de cumprir a COPPA (lei que proíbe a coleta de dados sobre crianças), a empresa se recusou a reconhecer que partes de sua plataforma eram claramente direcionadas para crianças”.

 

Os impactos do acordo 

O programa Criança e Consumo comemora as mudanças anunciadas pelo YouTube e entende que trata-se de um passo importante para a proteção da criança em ambiente digital. Porém, embora o fim da segmentação de anúncios para o público infantil seja um avanço, a medida ainda é insuficiente, pois a plataforma continuará veiculando mensagens publicitárias em canais e conteúdos infantis. “É fundamental que os espaços de socialização digital das crianças não tenham nenhuma comunicação mercadológica, já que qualquer tipo de publicidade infantil é ilegal”, explica Livia Cattaruzzi, advogada do Criança e Consumo.

Além disso, a segmentação de anúncios não é a única prática ilegal de publicidade infantil que precisa ser coibida pela plataforma. Livia Cattaruzzi chama atenção para os vídeos de unboxing, que são um exemplo de publicidade velada para crianças no YouTube. “A linha entre anúncio e entretenimento (na plataforma) é quase imperceptível, até para um adulto. As empresas sabem disso e fazem questão de tirar proveito dessa zona cinzenta se valendo de um espaço de comunicação e entretenimento para promover marcas e produtos, aproveitando-se da relação de confiança que se estabelece entre a criança produtora de conteúdo e a espectadora”, pontuou a advogada. 

As mudanças anunciadas pelo YouTube também podem impactar a prevalência massiva de trabalho infantil artístico sem autorização judicial, um problema grave em função dos inúmeros youtubers mirins que monetizam profissionalmente suas atividades e canais.

O Criança e Consumo já vem denunciando e acompanhando o desdobramento de casos envolvendo publicidade velada em vídeos do YouTube e seguirá analisando os efeitos das mudanças que entrarão em vigor na plataforma.

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