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SBT e Dolly realizam publicidade para crianças no YouTube

SBT e Dolly realizam publicidade para crianças no YouTube

SBT e Dolly realizam publicidade para crianças no YouTube

Canal da personagem Juju, da novela Carinha de Anjo, foi criado como extensão do programa e hospeda merchandising da marca de refrigerantes

A empresa de refrigerantes Dolly realizou recentemente dois merchandising no canal de YouTube da personagem Juju Almeida, interpretada pela atriz Maísa Silva na novela infantil ‘Carinha de Anjo’, veiculada pelo SBT. As mensagens direcionadas ao público infantil foram feitas em duas datas: uma no Dia das Mães e a mais recente, no Dia dos Pais, no ‘Vlog da Juju’. Ao constatar essa ação mercadológica, o Criança e Consumo, programa do Alana, encaminhou uma denúncia ao Procon de São Paulo.

Nos dois vídeos das ações, os cenários mostram diversos elementos alusivos à Dolly, o nome da marca de refrigerante é citada pela personagem e no final ela ainda canta o jingle da marca. Os roteiros e os enquadramentos mostram, de forma repetida e proposital o Dollynho, mascote da marca. O canal da Juju conta com mais de 1 milhão e 200 mil inscritos, antes mesmo do início da novela infantil, a emissora de TV criou perfis nas redes sociais para a youtuber mirim fictícia, com o intuito de fazê-la interagir com os fãs, a maioria crianças.

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“Chama a atenção uma emissora de TV criar um canal fictício no YouTube como uma extensão de uma telenovela com o objetivo de direcionar publicidade a crianças por meio de uma ação de merchandising. Essa estratégia desrespeita a legislação brasileira que protege as crianças, inclusive nas relações de consumo, especialmente o artigo 227 da Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, os artigos 36, 37 e 39 do Código de Defesa do Consumidor e a Resolução 163 do Conanda”, ressalta Ekaterine Karageorgiadis, coordenadora do programa Criança e Consumo.

Após a denúncia, o Procon comunicou que instaurou um Auto de Infração para investigar o caso ao constatar irregularidade na campanha que contraria o artigo 37, §2º, do Código de Defesa do Consumidor. Vale lembrar que o SBT já foi condenado em 2015 ao pagamento de danos morais coletivos em ação civil pública ajuizada pelo Procon-SP, em razão do desenvolvimento de merchandising infantil durante a exibição da novela Carrossel. A emissora recorreu da decisão.

Acompanhe o caso:

 

5 comentários em “SBT e Dolly realizam publicidade para crianças no YouTube
  1. Cleuza Dias says:

    Por isso que ninguem faz mais nada para as crianças na tv aberta. E as que faz voces condenan.
    Deixe as crianças pobres sem tv. Vamos incentivalos assistir so programas para adultos,sexo e violencia.
    A programacao infantil só é viavel na tv quando se tem lucros.
    Alem do mais,o mercado,as emissoras nao seguem regulamentacao de Conanda e sim Conar. Censurar mais essa pratica e fazer a programacao infantil levar mais um golpe. Suma e viva o sexo na tv,drogas e tudo mais.

    • Criança e Consumo says:

      Olá Cleuza,

      Entendemos a sua frustração quanto à falta de programação infantil nos canais de televisão. A verdade, porém, é que a diminuição na oferta de programas infantis nesses canais se deu por interesse comercial das próprias emissoras.

      As redes comerciais costumam dizer que a Resolução nº 163 do Conanda ( Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), editada em 2014 (fala sobre o abuso ao direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente), é a principal responsável pela redução da programação infantil nos canais de televisão aberta.

      Em busca de um público mais diversificado para seu merchandising, os canais de televisão aberta foram substituindo os programas infantis por programas de entrevistas, culinária, variedades. O espaço dedicado à programação infantil vem diminuindo desde 2010, ou seja, muito antes de mencionar a resolução, como você pode ver: http://celebridades.uol.com.br/ooops/ultimas-noticias/2015/09/11/tv-aberta-cai-e-tv-paga-dispara-135-no-pais-em-5-anos.htm.

      Não se pode dizer, também, que as emissoras seguem apenas a regulamentação do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e não do Conanda.

      O Conanda é órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e tem como função elaborar normas gerais da política nacional de atendimento dos direitos da criança e do adolescente. Suas resoluções – tal como a Resolução nº 163/2014 – aplicam-se a todos os brasileiros sem distinção.

      Já o Conar é um órgão que atua frente à autorregulamentação da publicidade no Brasil. A instituição se orienta pelo Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CBAP), documento que não tem força de lei ou abrangência nacional, sendo aplicado apenas aos seus cerca de 400 associados.

      O Instituto Alana entende que a televisão aberta tem o dever de dedicar parte de seu conteúdo ao público infantil. Em vista do que dispõe os artigos 221 e 227 da Constituição Federal, é certo que as crianças têm direito, a uma programação de qualidade, de forma que as emissoras têm o dever de exibir programas de qualidade para esse público.

      Agradecemos o seu comentário e esperamos que as informações passadas lhes sejam úteis.

  2. Matheus says:

    Realmente o Youtube vem sendo usado mesmo que “incoscientemente” por diversos empresas para propagar a publicidade infantil, além do que, alguns canais são criados apenas com o inuito de lucrar em cima do público infantil, infelizmente a internet se tornou um campo onde essas ações são mais difíceis de serem controladas.

  3. Gustavo Fontes says:

    Não vejo nada de mais. Quero lembrar aos senhores que acabar com a publicidade infantil, direta ou indiretamente vai falir o mercado de produtos infantis, pois quem comprar,pede esses produtos são as crianças. Sem elas,diga adeus aos brinquedos, lanches,e também aos conteúdos infantis como os desenhos. O licenciamento vai ser o mais prejudicado com essa medida. Ninguém licencia a Mónica sem passar a publicidade com o desenho da Mónica. Isso é fato.
    Então não concordo com essa medida de proibir a publicidade para crianças:
    Comercias sem cores é sem graça e chato (Vão ter que usar câmara dos anos 40). Não faz sentido.
    Tenho Tv a cabo,e os meus filhos amam essa novela do SBT,umas das poucas que têm conteúdo para crianças na tv aberta. Então acabar com a publicidade infantil vai banir de vez esses raros conteúdos e só um mundo adultos recheados de propaganda de cerveja.
    A emissora tem que lucrar de algum jeito né! .
    Proibir é acabar com tudo e deixar os pequenos a ver navio.

    • Criança e Consumo says:

      Olá Gustavo,

      O programa Criança e Consumo, do Alana, trabalha para efetivar a legislação brasileira vigente, que considera abusiva e ilegal a publicidade direcionada a crianças, e atua também para garantir uma infância plena e livre de consumismo. Nossa atuação tem por base, além da legislação brasileira vigente, estudos de diversos campos de conhecimento que compreendem as crianças como pessoas em uma fase peculiar de desenvolvimento físico, cognitivo e psíquico e, portanto, hipervulnerável nas relações de consumo. Isso significa que elas não são ainda capazes de compreender o caráter persuasivo das publicidades a elas dirigidas, necessitando da mediação dos adultos para que possam desenvolver plenamente sua autonomia. O Criança e Consumo não quer o fim da publicidade, tampouco é contra personagens, desenhos e produtos infantis. O programa apenas defende a mudança do público-alvo da mensagem publicitária, de modo que a comunicação mercadológica deixaria de ser dirigida diretamente às crianças e passaria a ser direcionada aos adultos, detentores de capacidade jurídica e de poder de compra, de modo, inclusive, a garantir a possibilidade de que os adultos realmente possam fazer escolhas para seus filhos, não a partir de um estímulo feito diretamente às crianças pela publicidade. Convém ressaltar, também, que o espaço dedicado à programação infantil na televisão aberta vem diminuindo por motivos outros que não a proibição da publicidade infantil [para ler mais a respeito, acesse]. Por fim, destaca-se recente estudo da The Economist Intelligence Unit (EIU) que apontou que os impactos econômicos do fim da publicidade infantil são mais positivos para a sociedade [disponível].

      Obrigado pelo contato!

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