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Uma semana de refeições livre de telas!

Uma semana de refeições livre de telas!

Uma semana de refeições livre de telas!

Para reflexão sobre como o uso de dispositivos móveis pode afetar tanto a alimentação quanto  o desenvolvimento das crianças, Criança e Consumo propõe Semana Sem Telas 2018

Passamos por uma mudança radical no uso de telas. A popularização da Internet, combinada com o desenvolvimento e diversificação de dispositivos digitais fez com que todos nós passássemos a dedicar muito tempo a atividades mediadas por telas. Aos poucos, e sem planejamento prévio, as telas foram ocupando espaço também na vida das crianças e adolescentes, o que significa oportunidades, mas também riscos. Assim, neste momento, em que diversas organizações realizam a Semana Sem Telas, o Criança e Consumo faz um chamado à reflexão sobre o uso de dispositivos eletrônicos por crianças.

A idéia é estimular que famílias saiam do automático, que possam fazer escolhas conscientes sobre o que fazer em relação a esta questão, considerando a opinião de especialistas e sem culpa. Para isso, este ano, nossa proposta é repensar o uso de telas durante as refeições – prática cada vez mais comum, mas altamente questionada por especialistas de saúde e do brincar.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que crianças, mesmo aquelas com mais de um ano e meio, que já podem iniciar o contato com as telas, se acompanhadas dos pais, deveriam ter momentos de relacionamento familiar sem a presença delas. E indica, inclusive, que o tempo das refeições deveria ser priorizado como uma destas relevantes oportunidades.

Especialistas vêm defendendo a importância de dar espaço aos sentidos no desenvolvimento infantil, inclusive na hora das refeições. As crianças precisam ter contato visual com o que comem, sentir o cheiro dos alimentos, a textura. Tudo isso pode ser parte de uma descoberta importante deste universo: os alimentos e suas combinações.

Diante de uma tela, porém, a criança desvia toda sua atenção ao entretenimento, deslocada do entorno e indiferente ao que come, o que pode ser um fator para o desenvolvimento de transtornos e desequilíbrios na alimentação e na saciedade, alertam nutricionistas. Os transtornos alimentares gerados na infância podem levar ao desenvolvimento de doenças ao longo da vida. Dividir a concentração da refeição com outros afazeres também pode impactar a mastigação, processo essencial para a absorção dos nutrientes pelo organismo e para facilitar a digestão.

Mas não é apenas uma questão de saúde. O momento da refeição, mesmo com a vida apressada contemporânea, pode ser uma oportunidade de diálogo familiar, começando pela preparação dos alimentos. Depois, sentar junto, olhar um para o outro, reconhecer como estão os ânimos, ensinar a espera e a paciência – a dos adultos, inclusive, de entender que as crianças muito pequenas facilmente se distraem, se entediam, querem levantar. Chamar a atenção e dialogar sobre a importância do momento da refeição pode ser fundamental para o bem-estar da criança e o desenvolvimento de habilidades emocionais fundamentais  para sua integração social futura.

Em termos práticos, chamamos as famílias para que, nesta semana, mantenham sempre um recipiente (uma caixa, um cesta, uma sacola) próximo ao local das refeições onde devem ser colocados os dispositivos móveis. A televisão, desligada. Para só sobrarem as pessoas, a mesa, os alimentos.

No final de semana, uma sugestão é aproveitar a refeição sem tela em meio à natureza. Diversos especialistas têm orientado que a infância contemporânea está sofrendo de déficit de natureza. A semana sem telas pode ser uma oportunidade para buscar diversão, em família, em espaços verdes, praças e parques, como sugere o programa Criança e Natureza. E que tal um piquenique com alimentos livres de publicidade infantil em um desses espaços? O GPS da Natureza é uma ferramenta digital onde você pode mapear locais ao livre e as atividades que mais combinam com eles.  Que tal aproveitar e deixar sua dica por lá?

Claro que as condições socioeconômicas e o contexto em que as famílias se encontram vão afetar a possibilidade de garantir esses momentos, de diálogo, sem telas. Por isso estamos chamando à reflexão. Será que é possível fazer uma semana de refeições sem telas? O que isso muda na rotina das famílias? Mas não estamos demonizando quem recorre às telas. Garantir o bem-estar das crianças não pode ser uma tarefa da família apenas – Estado e sociedade, incluindo os atores privados, também têm responsabilidade para garantir a proteção das crianças como prioridade absoluta. E como esses outros atores poderiam ajudar? E como atrapalham?

Considerando também a importância da alimentação na infância e a atual epidemia de obesidade infantil, vale lembrar que, ainda que exista uma regulação impedindo , a publicidade direcionada a crianças persiste. E, de forma cada vez mais frequente, aparece velada, camuflada em conteúdo. Especialmente na Internet.

Equilibrar o consumo de tela pode também evitar que conteúdos prejudiciais ao desenvolvimento saudável das crianças às alcance. Enquanto as famílias fazem o seu melhor, seguiremos pressionando empresas e Estado para que o melhor interesse da criança esteja acima dos interesses comerciais, como requer a Constituição.

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