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Publicidade infantil abusiva: conheça o pai que decidiu denunciar o McDonald’s

Publicidade infantil abusiva: conheça o pai que decidiu denunciar o McDonald’s

Publicidade infantil abusiva: conheça o pai que decidiu denunciar o McDonald’s

Ao tomar consciência de que as empresas também têm responsabilidades com a infância, Wêsley resolveu agir para acabar com a venda de brinquedo com lanche que tanto chamava a atenção de seus filhos

Pai de duas crianças, Wêsley Henrique de Assis começou a se sentir pressionado pela estratégia publicitária do McDonald’s – de vender lanche com brinquedo – quando os filhos tinham quatro e dois anos. “Como pai, a vontade de satisfazer o desejo dos filhos nos leva a ser vítimas dessa publicidade”, relatou o servidor público de 46 anos, ao site O Joio e O Trigo.

Apesar de a pressão recair sobre seus ombros de pai, Wêsley entendeu que não cabia apenas a ele garantir às crianças uma infância saudável e enviou uma denúncia ao Ministério Público acerca das práticas de comunicação mercadológica do McDonald’s.

Em 2015, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude instaurou investigação, ainda em andamento. Agora, após sermos consultados sobre o caso, entramos em contato com Wêsley para conhecer a história dele e lançamos a campanha #AbusivoTudoIsso para que outros pais e mães indignados possam denunciar a publicidade abusiva do McLanche Feliz.

 

Criança e Consumo – O que te incomodou a ponto de enviar uma denúncia das práticas do McDonald’s ao Ministério Público?

Wêsley – Desde quando meus filhos eram pequenos, passei a ser vítima junto deles da prática abusiva do McDonald’s de oferecer brinquedos como brindes na compra de lanches. E o que me levou a fazer a denúncia foi o fato do McDonald’s insistir com essa prática, incentivando crianças a consumirem alimentos não saudáveis, fazendo com que, às vezes, até os pais tenham que consumir junto tais alimentos. Pensei ainda naquelas crianças que são atingidas pelas publicidades abusivas, mas que moram em regiões humildes, onde não existem lojas do McDonald’s, ou cujos pais não têm condições financeiras para comprar os lanches.

 

Criança e Consumo – Por que você entende que essa estratégia de comunicação afeta negativamente o desenvolvimento de crianças?

Wêsley – Porque estimula o consumo de alimentos não saudáveis, o que pode gerar obesidade na infância, mas sobretudo por aproveitar da ingenuidade das crianças para torná-las consumistas. Além disso, ainda causa ansiedade nos pequenos, e, muitas vezes, frustração, seja por não ter acesso aos lanches ou porque o brinquedo não funciona com mostrado na propaganda de TV.

 

Criança e Consumo – Como essas práticas afetam as famílias?

Wêsley – Como pais queremos sempre ver os filhos felizes e essas práticas do McDonald’s também nos afetam, pois sentimos na pele quando nossas crianças são atingidas facilmente por essa publicidade maldosa que as ilude e as deixam ansiosas, com aquela vontade de ganhar os lanches que vêm com o brinquedo.

 

Criança e Consumo – Você já conversou com outros pais sobre as práticas do McDonald’s? Acha que o seu sentimento é o mesmo de outros pais com relação a esta empresa?

Wêsley – Já conversei com outros pais, mas não acho que têm o mesmo sentimento que eu porque percebo que a maioria ignora essas práticas abusivas e desconhecem o trabalho de organizações como o Instituto Alana na defesa dos direitos das crianças. Já conversei também com o proprietário de outra marca famosa de lanches, que disse não oferecer brinquedos como brinde, mas que também não acredita em mudança por conta da influência do poder econômico dessas grandes marcas.

 

Criança e Consumo – Em sua opinião por que, apesar das legislações que impedem a publicidade direcionada a crianças, o McDonald’s segue com a prática abusiva?

Wêsley – Certamente porque é uma marca que visa unicamente a obtenção de lucro e que não possui ainda qualquer compromisso com o futuro da sociedade.

 

Criança e Consumo – Qual mudança você espera ver com relação às práticas do McDonald’s?

Wêsley – Que pare fazer publicidade dirigida às crianças, iludindo-as com brinquedos oferecidos como brindes, pois se os lanches do McDonald’s fosse tão bons assim, a procura seria imensa e não precisaria aproveitar da ingenuidade das nossas crianças.

 

Criança e Consumo – Como essa mudança poderia melhorar a vida das crianças e famílias?

Wêsley – Com a redução da obesidade infantil e do consumismo.

 

Criança e Consumo – Em sua opinião, é simples pais, mães e responsáveis reclamarem das práticas de comunicação abusivas às autoridades competentes?

Wêsley – Não. Acredito que precisa de bastante dedicação e vontade de defender os interesses das nossas crianças.

 

Criança e Consumo – Como o material do Alana te ajudou a realizar esta denúncia?

Wêsley – Serviu como um incentivo e me auxiliou bastante, pois eu não teria condições e disponibilidade de tempo para realizar um estudo sobre o tema que me possibilitasse fazer uma denúncia tão bem fundamentada.

4 comentários em “Publicidade infantil abusiva: conheça o pai que decidiu denunciar o McDonald’s
  1. Viviane says:

    Super apoio às empresas serem mais consistentes, mas cabe aos pais comprarem ou não. Meu filho tem 5 anos e nunca levei ele no Macdonald, nem sabe o que tem lá. Os adultos que são consumistas e passa isso para os filhos. A criança de dois anos então nem deveria comer esse tipo de lanche. É mesmo que fosse só os brinquedos, não é saudável ficar comprando tudo que aparece.

    • Comunicação Criança e Consumo says:

      Olá, Viviane. Tudo bem?
      Agradecemos imensamente pelo seu contato.
      O Criança e Consumo busca fomentar o debate sobre o consumismo na infância e sensibilizar a população para o fato de que se trata de um problema que ultrapassa a esfera familiar devido a gravidade dos impactos sociais, ambientais e econômicos que gera.
      Logo, as crianças precisam ser protegidas, não só por seus pais ou famílias, dos abusos praticados pelo mercado.
      Obrigada.

  2. Gabriel pires Souza says:

    acredito que vocês não estão levando em conta o direito autoral protegido inclusive por lei do licenciamento de personagens.
    Eu como dono da marca,produtor do conteúdo,desenhista têm o direito de licenciar o meu produto ou marca a onde eu quiser. Se o meu desenho animado,filme está em uma lanchonete é um direito meu de estar lá.
    O conanda desrespeita uma lei mundial que protege os direitos autorais e licenciamento

    • Comunicação Criança e Consumo says:

      Prezado Gabriel, agradecemos por seu comentário.

      O programa Criança e Consumo do Instituto Alana, busca sensibilizar e fomentar a reflexão a respeito da força que a comunicação mercadológica dirigidas ao público infantil (pessoas até 12 anos) possuem na vida, hábitos e valores dessas pessoas ainda em formação.

      Assim, o programa defende o fim de toda e qualquer comunicação mercadológica que seja dirigida às crianças com a finalidade de protegê-las dos abusos praticados pelas publicidades comerciais, pois acredita na relação direta com impactos negativos na infância e juventude, tais como o consumismo excessivo, a erotização precoce, a incidência alarmante de obesidade infantil, a violência, o materialismo excessivo, banalização da agressividade, o desgaste das relações sociais, entre outros.

      É importante dizer que no Brasil publicidade dirigida ao público infantil é ilegal, mesmo que na prática ainda seja encontrada. Essa ilegalidade se dá pela interpretação sistemática da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente, da Convenção das Nações Unidas sobre as Crianças, do Código de Defesa do Consumidor e da Resolução nº 163 de 13 de 2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

      Assim, o Criança e Consumo não é contra o licenciamento em si, mas é contra a estratégia de comunicação mercadológica que visa persuadir as crianças para consumir um produto licenciado ou não. Ademais, o CONANDA dentro de suas atribuições, com a Resolução nº 163 de 2014, busca proteger as crianças, pessoas em peculiar fase de desenvolvimento, dos abusos praticados pelo mercado.

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