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O que a Black Friday ensina para as crianças?

O que a Black Friday ensina para as crianças?

O que a Black Friday ensina para as crianças?

 

A Black Friday é uma data tradicional para o comércio nos Estados Unidos que, com liquidações anunciadas como “imperdíveis”, marca o início da temporada de compras de fim de ano. Mas, aqui no Brasil, foi apenas há pouco menos de uma década que a última sexta-feira de novembro também passou a ser sinônimo de consumo em excesso – e, por vezes, sem reflexão prévia. 

Nas semanas que antecedem a data, os anúncios com apelos às promoções estão em todos os lugares: vitrines de lojas, comerciais de televisão, banners na internet, conteúdos de influenciadores digitais, encartes de jornal, etc. Consequentemente, as crianças também acabam sendo impactadas por esse aumento de mensagens com apelo consumista. Para discutir como essa data pode afetá-las, propomos para alguns conselheiros do Criança e Consumo, especialistas em diferentes temáticas, uma reflexão a partir da pergunta: o que a Black Friday ensina para as crianças?

 

Publicidade em excesso afeta as crianças 

A estratégia de comunicação baseada na repetição incessante de peças publicitárias anunciando ofertas é um ponto que merece particular atenção, segundo o filósofo Pedrinho Arcides Guareschi. Repetição essa que amplia o alcance da mensagem e estimula um comportamento de grupo – criando o efeito de “todo mundo está falando sobre”. Guareschi reflete que essa estratégia é ainda mais eficiente e agressiva para as crianças que, por sua inexperiência e por estarem em uma peculiar fase de desenvolvimento, ainda não possuem recursos para se defender de comunicações mercadológicas em excesso.

Embora a Black Friday não tenha, como em outras datas, um aumento perceptível de publicidade infantil (que, embora ilegal, ainda existe), as crianças também acabam sendo impactadas pelo excesso de mensagens publicitárias, em todos os seus ambientes de convivência. A socióloga Inês Sampaio alerta que a Black Friday afeta a criança por atingir todo o núcleo familiar com o convite ao consumismo. “Quando tudo está em promoção, a possibilidade de compra, nem que seja no imaginário, se torna maior”, reflete Sampaio. 

 

Consumo como promessa de felicidade

O advogado Danilo Doneda destaca que a Black Friday introduz no calendário dos acontecimentos relevantes da vida de uma criança uma data centrada exclusivamente na comemoração do consumismo. Ao contrário de outras datas comemorativas que também movimentam fortemente o comércio (como Natal, Dia das Mães e dos Pais), a Black Friday sequer tem um objetivo fraternal por trás do consumo. “Essa ideia do aproveitamento de uma oferta como algo que, independentemente de qualquer outra consideração, merece ser levado em conta como algo relevante”, reflete Doneda sobre o valor que a data passa para as crianças.

Outro ponto importante de se lembrar, nesta data e sempre, é a relação entre consumismo e impactos ambientais. A ambientalista Rachel Biderman destaca que o consumo traz um prazer passageiro, mas gera consequências duradouras para o planeta e para a saúde. “A Black Friday ensina a consumir muito, ensina que estar junto com a família para consumir é uma coisa legal. E não traz uma reflexão do que está por trás desse consumo”, reflete.

Em contraponto ao excesso de mensagens publicitárias que dizem que seremos pessoas mais plenas e felizes por meio do consumo, o Procurador do Estado de São Paulo, Marcelo Sodré, nos convida a refletir se a felicidade é um produto que se pode comprar. Também para a psicanalista Ana Olmos essa data reforça a ideia de que a pessoa vale por aquilo que ela consome, e não pelo que ela é. “Eu preciso desse bem que estão me dizendo que está mais barato, hoje, na Black Friday?”, é o convite à reflexão que Olmos traz ao propor que podemos inverter esse “dia de ter” para um “dia de ser”.

Conheça nossa campanha nas redes sociais sobre a reflexão de como a Black Friday pode afetar as crianças: Instagram e Facebook.

 

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