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Novo estudo sugere ligação entre má nutrição e mudanças climáticas

Novo estudo sugere ligação entre má nutrição e mudanças climáticas

Novo estudo sugere ligação entre má nutrição e mudanças climáticas

Os desequilíbrios resultantes das mudanças climáticas ocasionam perdas enormes na produção agrícola em inúmeras regiões do planeta. Secas inesperadas e índices pluviométricos muito acima da média costumam provocar esse tipo de baixa. A ocorrência desse tipo de evento provoca, em grande medida, a insegurança alimentar que ameaça diversos países ao redor do globo, e a baixa oferta de alimentos nutritivos e livres de agrotóxicos com preço acessível à maioria da população, duas das principais causas da desnutrição e obesidade. É necessário avaliar de que maneira obesidade, subnutrição e mudanças climáticas estão interligadas ao aumento da incidência de doenças como câncer, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças cerebrovasculares, apneia do sono, osteoartrite e diabete Melittus tipo dois. Essa é a conclusão do estudo Global Syndemic of Obesity, Undernutrition, and Climate Change [Epidemia Sinérgica Global de Obesidade, Subnutrição e Mudanças Climáticas, em tradução livre]  publicado na revista médica The Lancet em janeiro de 2018.

Entre as principais causas desta epidemia sinérgica global, estariam o lobby das indústrias e a falta de mobilização popular. Altos investimentos em medidas governamentais que mitiguem os efeitos do aquecimento global, um tratado internacional envolvendo multinacionais de alimentos, nos mesmos moldes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (Organização Mundial de Saúde), de 2005, e um maior aporte financeiro nas iniciativas populares que demandam políticas públicas que possam mitigar os efeitos das mudanças climáticas e erradicar os índices de obesidade e subnutrição a partir de um olhar sistêmico, são algumas das medidas sugeridas pelos pesquisadores para enfrentar simultaneamente os efeitos nocivos dessa sindemia.

 

O que a publicidade infantil tem a ver com isso?

“O problema é que criamos poderosos sistemas econômicos que encorajam o consumo excessivo em detrimento da saúde do planeta”, diz Sabine Kleinert, editora executiva sênior da revista, em entrevista para a Lancet TV.

A oferta de produtos alimentícios com brinquedos, por exemplo, dificulta o trabalho dos pais, mães e responsáveis por crianças de incentivar hábitos alimentares saudáveis desde a infância. Há quem argumente que basta que responsáveis digam “não”. Mas quem já passou algum tempo cuidando de uma criança sabe que não funciona bem assim.

As doenças crônicas não transmissíveis associadas à má alimentação são um problema motivado por causas complexas e diversas e, como afirmam os pesquisadores da The Lancet, estão diretamente relacionadas aos valores e modelos de produção que sustentam a sociedade de hiperconsumo.

 

Confira abaixo a entrevista com os pesquisadores (com legendas disponíveis em português):

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