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Autorregulamentação nos EUA é ineficiente para restringir publicidade de alimentos

Autorregulamentação nos EUA é ineficiente para restringir publicidade de alimentos

Autorregulamentação nos EUA é ineficiente para restringir publicidade de alimentos

A constatação foi feita por um estudo que classificou a publicidade de alimentos para crianças na televisão nos EUA antes e depois do acordo entre as principais empresas do setor de alimentos.

Uma pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos mostrou que a autorregulação da indústria alimentícia local, criada para acabar com a publicidade de alimentos não saudáveis para as crianças, não provocou mudanças efetivas. O estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine avaliou o valor nutricional dos alimentos anunciados antes e depois da criação do Food and Beverage Advertising Initiative (CFBAI). O programa de autorregulação inclui 17 das maiores empresas alimentícias dos Estados Unidos que se comprometeram a anunciar alimentos saudáveis para crianças.

Em 2006, um relatório do Institute of Medicine (IOM) alertou que a publicidade de alimentos não saudáveis coloca em risco a saúde das crianças contribuindo para a obesidade infantil. O relatório desencadeou um debate público sobre o tema que resultou na formação do CFBAI. Os participantes prometeram privilegiar a publicidade de alimentos saudáveis às crianças segundo normas específicas que foram estabelecidas por eles. No Brasil, em 2009, após pressão do Instituto Alana e do Idec, as subsidiárias brasileiras dessas empresas decidiram assinar o mesmo compromisso de autorregulamentação.

A pesquisa Evaluating Industry Self-Regulation of Food Marketing to Children, liderada pelo Dr. Dale L. Kunkel, PhD do Departamento de Comunicação da Universidade do Arizona, Tucson (EUA), avaliou que a eficiência do programa foi pequena. Em 2013, 80,5% dos alimentos anunciados para crianças foram classificados como de baixo valor nutricional, segundo termos definidos pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. “A autorregulação não alcançou nenhuma melhoria significativa na qualidade nutricional dos alimentos anunciados entre 2007 e 2013”, contou Dr. Kunkel.

A pesquisa realizou uma comparação dos anúncios de produtos alimentícios entre 2007 (antes da CFBAI) e 2013 (depois da CFBAI) a partir de categorias definidas pelo Departamento da Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos que diferencia três tipos de alimentos: Go, aqueles ricos em nutrientes; Slow foods, aqueles com nutrientes, mas ricos em calorias; e Whoa foods, alimentos calóricos e com baixo valor nutricional. A pesquisa analisou os anúncios veiculados entre 7h e 22h durante dez semanas em sete canais da televisão norte-americanos com programação infantil. Em 2007 foram 145 programas, 73 horas de programação. O resultado: 79,4% das publicidades veiculadas em 2007 eram de alimentos do tipo Whoa, em 2013 esse número subiu para 80,5%. Além disso, de todas as empresas que anunciavam alimentos paras as crianças, 30% não era signatária do compromisso.

Mas os pesquisadores se surpreenderam ao constatar que mesmo com esse número elevado de publicidade de produtos de baixo valor nutritivo, as empresas do CFBAI estavam cumprindo os termos que elas criaram. Isso porque, as normas auto-estabelecidas pelas empresas não alteravam praticamente em nada o valor nutricional dos produtos anunciados e, portanto alimentos de baixo valor nutricional eram classificados por eles como saudáveis.

O estudo mostrou que depender da autorregulação para acabar com a publicidade direcionada ao público infantil de alimentos de baixo valor nutritivo não é a melhor alternativa. “Como foi sugerido pelo IOM em 2006, as restrições governamentais nas práticas publicitárias são necessárias para terminar a hegemonia dos produtos infantis de baixo valor nutricional. Um passo importante que inúmeros países já estão tomando”, concluiu o Dr. Kunkel.

Foto: Wendy Copley via Fickr

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