Sestini Mercantil Ltda. – Linha de Mochilas Infantis (fevereiro/2016)

Atuação do Criança e Consumo

Dentro do seu âmbito de atuação, o programa Criança e Consumo constatou prática de publicidade abusiva, consistente no desenvolvimento de estratégias de comunicação mercadológicas direcionadas diretamente a crianças realizadas pela empresa Sestini para a promoção de sua linha infantil de mochilas.

A análise das estratégias publicitárias desenvolvidas pela empresa torna evidente a intenção da anunciante de direcionar sua mensagem ao público infantil.

A ação consiste na exibição de comercial televisivo em canais infantis, com apelos como personagens conhecidas do universo infantil e jingles. Além disso, a empresa investiu no desenvolvimento de brinquedos colecionáveis que acompanham as mochilas, evidenciando uma estratégia clara de atingir a criança.

A empresa utiliza-se de uma comunicação transmídia, que se comunica com a criança por meio de diversas mídias e faz com que a marca esteja presente no cotidiano dela através de todas as redes a que tem acesso (televisão, internet, Facebook).

Ainda, outra estratégia de comunicação mercadológica utilizada pela empresa foi o envio de seus produtos para crianças conhecidas por serem blogueiras, vlogers ou youtubers mirins, para que elas os promovam nas redes sociais das quais fazem parte.

Desta forma, considerou-se que a empresa Sestini exerceu prática abusiva, pois, ao utilizar-se da linguagem do entretenimento, a empresa, direcionando publicidade diretamente ao público infantil, aproveita-se da vulnerabilidade das crianças para alavancar as vendas de seus produtos.

Em face do exposto, o Instituto Alana, por meio de seu programa Criança e Consumo, enviou, em 16.2.2016, Notificação à empresa Sestini para que sejam apresentados esclarecimentos sobre as ações realizadas.

Em 1.3.2016, o Criança e Consumo recebeu resposta da empresa, na qual a Sestini alega, em síntese, que seria uma empresa que estaria sempre à frente da legislação de proteção ao consumidor. Defende que a empresa estaria sempre preocupada com a qualidade de seus produtos, principalmente aqueles voltados ao público infantil, e que a empresa possuiria uma equipe especializada para construção e análise de suas campanhas de marketing, levando-se em conta os princípios da transparência e clareza da informação. Ainda, argumenta que as campanhas estariam sempre sujeitas à aprovação tanto interna, como externa, referindo-se aos órgãos públicos. Por fim, alega que não teria recebido qualquer tipo de notificação, interpelação, judicial ou extrajudicial de consumidores ou qualquer instituição pública, privada, governamental ou não-governamental a respeito de suas campanhas publicitárias, de maneira que sua atuação estaria em consonância com o ordenamento pátrio e orientações protetivas da criança e do adolescente, inclusive internacionais.

Diante da continuidade das ações de comunicação mercadológica direcionadas a crianças desenvolvidas pela empresa, o Criança e Consumo, do Instituto Alana, encaminhou, em 30.8.2017, representação à Defensoria Pública do Estado de São Paulo, por meio dos Núcleos Especializados de Defesa do Consumidor e de Defesa da Diversidade e da Igualdade Racial.

A denúncia também foi assinada por duas entidades do movimento negro, o Coletivo de Oyá e a UNEafro Brasil, em razão de incitação à discriminação racial no filme publicitário da linha das ‘Meninas Superpoderosas’. No comercial, o uso de turbante, elemento de expressão da identidade negra, é indicado como algo ‘vergonhoso’.

O Criança e Consumo segue acompanhando os desdobramentos do caso.

Arquivos relacionados:

Atuação do Criança e Consumo

16.2.2016 – Notificação enviada 

1.3.2016 – Resposta recebida da empresa 

30.8.2017 – Representação encaminhada pelo Criança e Consumo à Defensoria Pública do Estado de São Paulo

Um comentário em “Sestini Mercantil Ltda. – Linha de Mochilas Infantis (fevereiro/2016)
  1. Ana Maria dos Santos says:

    Difícil combater tanta propaganda safada. Imagine nesta crise a situação dos pais.

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